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Bullying. Um problema. Sério.

É fato que nós não sabemos ainda lidar com toda a situação. Não há uma abordagem que livre as crianças de terem apelidos, de serem oprimidas e de, muitas vezes, sofrerem violência.

Claro, é natural e importante que a criança aprenda a lidar com apelidos e brincadeiras do gênero; aprender a dar menos atenção ao que os outros pensam dela. Mas e quando passar do limite? Ou melhor, onde é o limite: agressão moral, física? Dependendo da abordagem, é sabido que a violência psicológica pode ser pior. Como definir isso?

Eu também tive meus problemas com valentões e perturbadores quando pequeno. Sempre fui o mais novo da turma, por isso era menos desenvolvido fisicamente o que, somado ao fato de ser inteligente/introvertido, era um prato cheio para essas brincadeiras. Nunca cheguei a contar a meus pais sobre isso; parecia que era algo que eu tinha que lidar por mim mesmo. A pergunta sempre ficava no ar: como?

Crianças podem ser bem malvadas.

Felizmente a idade chegou, cresci e não tive maiores problemas devido a isso. Mas, já que não podemos impedir as crianças de praticarem bullying (seja ele só brincadeiras ou mesmo agressão mais séria, como a física), sempre me perguntei: o que dizer para meu (futuro) filho? Como instruí-lo quanto a isso?

Até que me vi um texto denominado “Memórias de uma criança que sofreu bullying” de um cara chamado Dan Pearce. Ele me pareceu um cara e tanto, falando sobre como criar seus filhos, aceitar a si mesmo, lidar com conflito, coisas assim. Lá, deparei com um comentário interessante, do Sebastian Marshall, que parece ter a resposta. Com a autorização do autor, traduzi, editei e coloco para vocês lerem.


O post “Memorias de uma criança que sofreu bullying” deve ter requerido muito fibra para ser escrito e eu respeito muito isso. Tendo dito, eu discordo com a conclusão dele em como lidar com crianças que praticam bullying.

Eu sinto pelo autor. Eu também me mudei bastante quando criança. Não, não era uma família de pai militar. Apenas coincidências, reorganizações no trabalho algumas vezes seguidas, mudanças de emprego, circunstâncias familiares. Algumas vezes, tudo corria bem e eu me juntava a um grupo de crianças boas logo de cara, outras vezes nem tudo ia bem. É normal que algumas vezes crianças novas se dêem mal. Eu entendo.

Um pouco de provocação é desagradável, mas crianças podem cruzar a linha.

John e Mike nunca paravam. Eles nunca me deram um dia de folga. E enquanto as brincadeiras maldosas alcançaram um nível máximo em poucos dias, a auto-aversãocresceu até que eu cheguei a me odiar… eles começaram novas maldades como colocar comida do chão na minha boca, jogar meu lanche no lixo, arremessar objetos perigosos em mim e me empurrar/derrubar..

Isso é ir além do limite. John e Mike estavam muito além da linha aceitável de provocações e brincadeiras. Qual o conselho do autor?

E então, eu peço você para não odiar essas crianças. A experiência me mostrou que odiá-los, ou responder com raiva deles, sempre fará tudo ficar pior. Ao invés disso, coloque seu braço ao redor deles. Ame-os. Diga-os que eles são de valor. Fale a eles os grandes feitos que você espera deles. Eles vão parar de te incomodar.

Não, eles não vão.

Aqui é onde eu vou ofender a sociedade educada. Eu digo a você – essa é a linha geral de conselhos que tem crescido nos últimos tempos: “Ame essas crianças, fale com elas e elas pararão.” Não, isso é mentira. É por isso que entramos nessa bagunça em primeiro lugar.

Eu me lembro de ter mudado de escola no meio do ano na sétima série; tinha 11 anos. Uma criança da nona série (14 -15 anos, muito maior do que eu) me empurrou nos armários no terceiro dia de aula. Ele então riu com os amigos e começou a sair. Eu corri atrás dele, derrubei ele e comecei a socá-lo no rosto.

Nós dois fomos suspensos. Ninguém mais me causou problemas depois daquilo. Eu encontrei um grupo de amigos bem legais e fui respeitado. A criança mais velha não me causou mais problemas também: ele realmente me ignorou. Éramos estranhos depois daquilo, o que foi ótimo para mim.
E é assim que você tem que fazer. Essa história de “ame os valentões” está errada. Ela ignora nossa natureza animal.

Eu tenho alguns nomes que quero dar a meus filhos. Eles não são convencionais, como Cosimo Marshall ou Aurelius Marshall se a mãe for italiana, Zhuge Marshall se ela for chinesa. O garoto provavelmente vai ser provocado na escola. Tudo bem, provoque de volta.

É bater ou correr. Fique. Lute.

Mas filho, assim que alguém colocar as mãos em você, eles passaram dos limites. Fodam-se. É a única coisa que esses loucos entendem. Eles são animais selvagens. Eles fazem violência em você, você precisa mostrar a eles que você é mais forte, um animal maior. Quando alguém te ataca maliciosamente sem razão alguma, você precisa se impor. Mesmo se você perder, perca batendo. Eles vão respeitar isso. Seja um lutador difícil.

Esse porcaria de conversa não funciona… tem sido um dogma nos últimos 30-50 anos, ela assume que a nobreza da natureza humana vai se sobressair. Não vai. Não tem sentido. Se você não é forte o suficiente para se impor a alguém fazendo violência a você, então treine e fique mais forte. Se você é inteligente, não importa se o outro cara é maior que você. Pratique aulas de box ou artes marciais.

Minha mãe é incrível. Ele me pegou na escola quando fui suspenso. Sentamos para conversar com o diretor e ela estava muito séria, dizendo “sim, meu filho leva a escola muito a sério, ele nunca entra em problemas, eu não sei o que aconteceu com a luta”. Depois que saímos, ele me levou para almoçar e disse: “bom trabalho”.

Eu queria ter aprendido aquela lição antes: algumas pessoas agem como animais, aquelas que querem te machucar por razão nenhuma. Mostre a elas que você assume modos autodestrutivos para se proteger, se vire contra eles e eles pararão.

Também, proteja os outros. Eu entrei em um bate-boca defendendo alguns empregados do McDonalds’s de um cara se achando chefão em Hong Kong . Um bando de policiais veio apartar, eu estava quase numa briga com 3 caras da máfia.

Dois caras estavam tentando me bater outro dia numa área perigosa também em Hong Kong. Erro deles, deixei um dobrado com um chute no estômago e gritei para o outro: “VOCÊ QUER MORRER? SE AFASTE, FIQUE AÍ”. Ele ficou e deixou que eu fosse embora enquanto o comparsa dele estava sem ar.

Eu deveria ter “falado” com eles, “amado” eles, esses criminosos? Não, eles são animais. Eles não entendem.

Ensine suas crianças a lutar e de modo esperto. Proteger os fracos. Ser o inferno e a miséria para aqueles que são maus. Pacifismo só funciona se há alguém mais forte de olho para manter as coisas certas – alguém que vá se interpor por você. Se todo mundo fosse pacifista exceto os maus, eventualmente uma pessoa ruim sem consciência iria terminar ditando as regras.

Não, isso não funciona. Ensine suas crianças a lutar, se defender e proteger os outros em problemas. Há pessoas legitimamente ruins no mundo, quase animais, e força é a única coisa que eles respeitam. Imponha-se.

Post escrito por Sebastian Marshall e originalmente publicado aqui. Traduzido com permissão do autor.

  • Carlos Allan
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    Carlos Allan

    Uma das razões de ter começado a aprender a me defender foi realmente para ensinar meu filho, nunca tive problema com bullyings, sempre levei tudo para o lado da brincadeira, porém teve alguns que realmente me ofendia.

    Eu me vejo no futuro ensinando meu filho a lutar, desde pequeno.

    • Paulo Ribeiro
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      Paulo Ribeiro

      Também, cara. Eu me imagino como o capitão nascimento, ensinando judô ao filho no segundo tropa de elite ;)

  • Felipe Duque Belfort
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    Felipe Duque Belfort

    Acho importante a criança ter noções de autodefesa quando criança, algumas brigas realmente devem valer a pena nessa idade. Entretanto, discordo veementemente do incentivo à briga (ou melhor, a ‘defender os mais fracos’) na idade adulta, que foi o que Sebastian disse que fez no caso da McDonald’s. Nessa idade, qualquer briga pode ser fatal. O outro cara pode ter uma faca ou um revólver e pronto, você estará morto rapidinho. Um cara cheio de ideais, cheio de princípios, morto porque queria defender uma única pessoa que também era adulta. Não é uma causa pela qual vale a pena entrar numa briga. É nessas horas que nós temos que ser frios e realmente pesar as coisas: ‘Se eu não fizer nada, vou me sentir mal, vou me sentir um covarde, mas se eu fizer algo, posso morrer por uma causa pequena.’ Eu escolheria a covardia, até porque o tempo cura esse sentimento.

    • Paulo Ribeiro
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      Paulo Ribeiro

      Essa última frase me fez pensar bastante.

      Não apoio 100% do atitude do Sebastian, mas achei importante postar pq as pessoas precisam ouvir esse chacoalhão (preto), porque estão presas no outro extremo (branco) de completa inação. A realidade é, com certeza, muito mais cinza.

      Dentro desse espectro intermediário, eu interviria em alguma situações extremas, principalmente quando eu julgasse ser capaz de causar alguma diferença sem pôr minha vida num risco de 9:1 de morrer. Por exemplo, interferir em assaltos sem mão armada, tentativas de estupro quando pudesse, etc.

      Acredito ser importante a mentalidade do ‘defender o mais fraco’; se vc n tiver isso, nem considera a possibilidade de ajudar.

  • Douglas Akio Ito
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    Douglas Akio Ito

    Quando eu vi o post incompleto na pagina de desenvolvimento pessoal a primeira coisa que pensei foi: filho se alguem colocar as mão em vc…DA UMA VOADORA NELE! MAS PRA MACHUCAR MESMO! E DEPOIS SE VC FOR MAGRINHO QUE NEM EU ERA, SAI CORRENDO! E NÃO OLHA PRA TRAS, PQ A ESCOLA INTEIRA VAI ESTAR ATRAS DE VC! kkk desculpa não pude evitar, agora falando sério acredito que depende muito ja agi contra o bullyng passivamente e tbm tentei me impor e pra dizer a verdade ambos deram certo e errado depende do bully tbm as vezes vc pode se machucar sério como o felipe disse e as vezes vc pode ter paz mas no final talvez seja melhor lutar pela sua honra