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Pergunta de um leitor:

Olá Paulo e Eduardo!

Novamente agradeço pelo ótimo conteúdo do site de vocês (para mim, de longe, o melhor).
Vocês me ajudaram a definir inúmeros planos e metas que foram primordiais para as conquistas que tive nesse último ano.

Consegui um estágio na área que estou me especializando, estou aprendendo rápido e obtendo resultados super satisfatórios e estou começando a amadurecer um pensamento empreendedor mais sólido. Li o “Vai Fundo” do Gary Vaynerchuk, o ZTD (que inclusive foi indicação do Eduardo), mais recentemente o “A menina do Vale” da Bel Pesce (acompanho também os vídeos do canal dela do youtube), e conteúdos sobre produtividade e empreendedorismo na internet.

Como eu vou formar esse ano, não há só a preocupação de fazer um TCC bacana, mas também a de ser contratado em uma empresa legal ou mesmo de abrir o meu próprio negócio (quando for a hora certa, claro).
O negócio é que estou me cobrando de mais! Além de eu estar preocupado com essas questões, eu sou muito ansioso para obter melhores resultados e acabo ficando bastante frustrado quando meus trabalhos acabam não saindo da forma que eu queira.

Resumindo: Praticamente 90% do tempo (apenas quando não estou dormindo) eu estou pensando em como e o que devo melhorar, fico preocupado com grana, fico pensando em melhores estratégias para me tornar mais produtivo e criativo. Fora quando não estou pensando em algum tema para o TCC, em algum projeto para iniciar ou quando acho que, ao fazer algum hobby ou passar um tempo com a namorada, eu estou perdendo tempo (isso acontece com frequência). As vezes me sinto culpado quando saio com os amigos ou quando leio um livro ou vejo uma série apenas por diversão.

Isso de certa forma é bom, mas estou me sentindo pressionado e esgotado!

Já aconteceu algo semelhante com vocês?

Queria me sentir mais relaxado, mas ainda sim produzindo e correndo atrás.
Isso pode ser algum sintoma ruim?

Obrigado!

-A

Muito bacana ouvir isso, cara. Fico feliz de ver você avançando e saber que, de alguma forma, contribuímos para isso.

Vamos lá. Eu que estou de fora vou ver alguns pontos contigo, o que fizer sentido você usa aí.

1. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.

Duh, eu sei que você sabe disso, mas no meio do turbilhão, deixamos esse ponto passar muito facilmente. Ou você foca em fazer o TCC por período intenso e depois volta sua atenção para o estágio, ou faz o contrário e trabalha para fazer um TCC mediano. Depende dos seus objetivos de vida: se você quer um mestrado, você provavelmente vai precisar de um notão no TCC. Já para se manter bem no mercado, abrir seu próprio negócio, a experiência no estágio é muito mais importante: fazer um trabalho bom, conhecer gente da área, criar um portfolio top de linha… tudo isso é muito mais importante do que sua nota no TCC (ou mesmo se você tem diploma, em primeiro lugar).

O que eu buscaria fazer é desenvolver o projeto de TCC na mesma área do meu estágio, de modo que pudesse utilizar meu trabalho do dia a dia como base (teórica ou como fonte de dados, no caso de algo estatístico).

2. Separe um tempo para pensar.

A gente costuma tomar decisões importantes quando tá de bobeira, voltando para casa pelo metrô ou dentro do elevador da faculdade. Isso é burrice. Aprendi recentemente a separar um tempo no qual eu esteja bem, saudável, cheio de energia. Eu me isolo com papel e caneta na mão e então começo o processo decisório sobre o problema. Levanto tudo que é de relevante, incluindo medos e sentimentos a respeito. Depois que tomo a decisão, tendo levado tudo em consideração (o que é difícil, já que muitas vezes há coisas que não queremos olhar), eu esqueço aquilo. Se você fez o processo todo, não tem pq pensar duas vezes naquilo: com as mesmas informações nas mãos, você deve chegar à mesma conclusão; repensar é só gasto de energia.

3. Não agende trabalho para o tempo todo

Isso eu notei nas últimas semanas. Terminei estabelecendo o domingo como dia livre. Não livre no sentido de “eu vou fazer atividades que outras pessoas fazem pq dizem que é relaxante, como assistir TV ou outra bobagem (caso vc nao queira)”, mas livre no sentido de fazer o que você quiser. Se quiser pegar um cinema, praia, livro, série, qualquer coisa, faça o que der na telha. Isso tem feita muita diferença.

É tentador pensar “ah, no domingo eu faço isso e isso, tenho tempo livre mesmo”. Mas isso é ruim, no longo prazo você vai começar a render muito menos e as distrações vão vim de todo jeito, só que durante a semana e no meio do trabalho ;-)

4. Para o trabalho criativo, se não rola inspiração, vá pelo suor

Se você precisa manter consistência com trabalhos de alto nível (como no seu caso para o estágio), esperar pela inspiração não dá (isso é mais útil quando é um hobby). Então, você vai manter a qualidade através da combinação suor + feedback rápido. Procure algum amigo de sua área ou pelo menos cuja opinião profissional você respeite e esclareça a situação, algo assim:

“Oi X, beleza?

Estou batalhando com a qualidade das minhas criações ultimamente pois preciso manter um nível alto de qualidade para meu trabalho atual.Como eu respeito bastante seu senso de estética e tenho tido problemas com inspiração ultimamente, eu me pergunto se você não poderia me dar uma mão?

É algo simples, eu te mandaria um ou dois emails por semana, no máximo, com o meu trabalho atual e você me daria um feedback simples, dizendo em que eu poderia melhorar.

Em contrapartida, eu poderia fazer o mesmo por você, ou te dar uma força em algum projeto que você esteja trabalhando. Eu sei fazer X, Y,A,B. O que você acha?

Abraços”

Pode até ser alguém da própria empresa que você tenha criado afinidade (desde que não haja um clima de competição lá). O segredo é oferecer mais valor do que você tá pedindo em troca e mostrar que não vai ser um compromisso grande para se manter. Eu tenho usado algo parecido com minha escrita (já que almejo consistência de textos nas quartas e nos sábados aqui no blog) e tem funcionado como uma maravilha!

Então, me avise quais dessas dicas funcionaram.

Abraços,
PR


Nota: Embora o email seja para um caso específico, perceba que a resposta está repleta de princípios gerais para lidar com sobrecarga e estresse.