Estudo de caso: e se eu quiser aprender a jogar futebol?

Estudo de caso: e se eu quiser aprender a jogar futebol?

O aprendizado é universal. Não importa o que você esteja tentando aprender, o modo como você aborda o problema é o mesmo; o que varia, quando varia, são especificidades relacionadas aos tópicos.

Por exemplo, aprender a cozinhar não vai usar as mesmas técnicas de memória que estudar física quântica: enquanto uma atividade é mais procedimental, com feedback constante (você vai acompanhando o desenvolvimento do seu trabalho), física quântica é mais teórico, requer um base diferenciada de matemática, etc.

Então, o leitor Saulo comentou no nosso videocast sobre aprendizado como seria possível aplicar tudo isso para aprender a jogar futebol. Eu achei uma pergunta surpreendentemente boa e resolvi compartilhar com vocês aqui.

Garotos Jogando Futebol
Se você tivesse começado cedo, hoje já seria um Ronaldinho da vida.

Aprendendo a Jogar Futebol

1. Defina qual é o problema e qual vai ser a solução

‘Futebol’ é algo muito abstrato. Vamos nos tornar mais específicos aqui, lembrando aqui especificidade é irmã do foco, que irá nos ajudar bastante com os resultados.

Pergunta-chave: Que tipo de futebol você quer saber jogar e como vai saber que aprendeu?

Pode ser futebol de campo, de areia, futsal, futebol society; escolha um. Dentro do futebol escolhido, selecione uma posição na qual você quer jogar. Afinal de contas, posições diferentes requerem habilidades diferentes; e como estamos sendo minuncisos aqui, isso fará toda diferença.

A seguir, defina como você vai saber que conseguiu o que queria: imagine um futuro em que você sabe jogar futebol; o que você faz de diferente?

Saber onde quer chegar é importante para definir sua meta. Digamos que você escolheu futebol society (aquelas quadras pequenas com grama artificial), sua meta pode ser ‘jogar uma partida no clube mais perto no time dos jogadores experientes sem estragar tudo’. Ou ‘participar de um campeonato de society e me destacar’. Pegue um objetivo específico e que contenha aquilo que você quer alcançar.

Problema e Solução
“Antes de lidar com um problema, você precisa defini-lo bem.”

2. Desconstrua o monstro: quebre a habilidade em sub-habilidades

Neste exemplo, vamos supor que você escolheu jogar “atrás”, ser zagueiro nas peladas de futebol society. O que um zagueiro bom faz? Aqui, cabe muito bem você fazer sua pesquisa-dever-de-casa. Vá para alguns jogos, observe o que como os bons zagueiros jogam e como eles se diferenciam dos ruins:

  • Ser rápido é importante? ou é uma questão de força física?
  • Eles cabeceiam bem?
  • Como eles se posicionam e se movimentam em campo?
  • A marcação é feita como: ele marca o jogador ou a bola?
  • Para roubar a bola, como eles costumam fazer?
  • O que eles fazem quando recebem a bola: saem jogando ou tocam rápido?

Uma vez que você tenha quebrado “ser zagueiro em futebol society” em várias habilidades como “correr bem, cercar bem o atacante, sair jogando tranquilamente com a bola, etc etc”, é a hora de escolher.

Luta com monstros
Seu desafio não é tão assustador assim.

3. Aplique o principio 80-20 (Pareto) e defina uma sequência

Quais são os 20% das sub-habilidades mais importantes?

Essa é a ideia da geral de Pareto: os 20% mais importantes iram trazer 80% dos resultados. É nelas que você vai focar (notou o quanto a gente vem focando/especificando desde o começo?). Mais interessante aqui: na hora de escolher, leve em consideração coisas nas quais você já é bom para acelerar o processo.

Digamos que você já jogue futebol americano como quarterback (aquele cara que lança as bolas). Então, você já é acostumado com pressão e tem normalmente uma boa visão de jogo. Isso pode te ajudar a masterizar a saída de bola, no caso das habilidades de um zagueiro. O importante aqui é usar o que você tem para te auxiliar.

Quando você tiver selecionado, é hora de dar ordem. Eu não fiz o trabalho de campo em si (não fui ver jogos nem nada parecido), estou escrevendo esse texto como exemplo de abordagem. Mas, é seguro assumir que para um zagueiro de society, a prioridade seria: marcação, roubada de bola e saída de jogo.

Em qual ordem você deve aprender essas habilidades? Bem, para roubar a bola, você precisa saber marcar, então é meio claro que você deva aprender primeiro a marcar. E ‘sair jogando com a bola’ é algo mais complexo, então definimos nossa sequência: marcar, roubar a bola e sair jogando.

Regra de Pareto
 O princípio de Pareto implica: 20% dos esforços vão trazer 80% dos resultados.

4. Seja criativo na hora de desenvolver um plano de prática

Note que ‘aprender a marcar’ não é a mesma coisa que ‘ir jogar uma pelada’. É algo diferenciado e precisa ser tratado com especificidade; você precisa sair com exatamente esse objetivo. Então, faça sua mágica: chame um amigo que sabe e peça sugestões de que tipo de treino você pode fazer para melhorar sua marcação. Não importe em parecer louco, ignore o que os outros pensam nesse estágio.

Se for preciso, contrate alguém, busque ajuda especializada. Facilita na hora de fazer um treino focado. Desenvolva um plano de ataque e se prepare para guerra.

Pink e Cérebro
Você não vai dominar o mundo, é só um plano de aprendizado

5. Defina a frequência e crie apostas

Com que frequência você vai praticar? Duas vezes por semana? Todo dia?

Isso aqui vai depender da sua disponibilidade e da importância de seu objetivo. Se você quer ser um zagueiro profissional de futebol society (nem sei se isso existe), você precisa de uma frequência maior do que alguém que quer aprender a jogar para se divertir com os amigos. O importante é selecionar uma frequência que você vá manter.

Para se manter no plano, você aposta, simples assim. Poucas coisas motivam mais o ser humano do que a perda de dinheiro. Nesse caso, eu apostaria algo como 60~70% do meu salário? Essa deve ser uma quantia boa para te deixar com medo de perder, mas que te deixe capaz de pagar caso isso aconteça. De preferência, faça isso de modo público: “se eu não conseguir a-meta-que-você-definiu-no-passo-1, vou pegar a grana e dar para o atual namorado da minha ex”, ou uma caridade que você desgosta “se você é cristão, a grana vai para o fundo de ateístas”, e vice versa.

O importante é que o dinheiro vá para algo que bata de frente com seus princípios fundamentais. Isso vai te deixar completamente energizado.

Roleta de Cassino
Melhor apostar em si mesmo do que no acaso.

6. Se divirta no processo

Qual o sentido de começar um autodesafio desses se você não está se divertindo? Eu acredito que não há solução perfeita para o caso da motivação, mas quando você escolhe uma meta porque está fazendo algo divertido no processo de alcançá-la, não importa se você a alcance ou não, já que você terá ótimos momentos. E, contra-intuitivamente, é exatamente aí que suas chances de sucesso aumentam.

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Pronto, esse é um passo a passo que usaria para aprender futebol. Como vimos, podemos ser muito mais específicos que imaginamos e isso ajuda bastante na hora de dominar algum tópico. O aprendizado permeia toda nossa vida, então é essencial que você tenha um jeito sistemático de abordar as coisas.

PARA SABER MAIS: Escrevi um site inteiro dedicado a aprender mais rápido, técnicas de meta-aprendizado e de estudo. Para ter acesso ao Círculo Secreto do Aprendizado, acesse aprendizadoacelerado.com

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  • Luís

    Muito bom o texto. Só quero fazer um adendo, nem ao processo em si, mas a criação de objetivos: existem alguns casos em que o tempo é muito sacana. Veja, se seu objetivo é aprender a jogar futebol para SER UM PROFISSIONAL e você decide isso aos 35 anos de idade… vc pode, claro. As possibilidades humanas são quase infinitas, mas é pouquíssimo provável que dê certo, seja porque o mercado dá prioridade aos jovens, porque seu corpo não responde da mesma maneira do que quando tinha 10 anos, ou whatever. Por isso, é importante ser bem sincero consigo mesmo na hora dessa definição.

    Na espera desse livro aí.

    Abraço.

    Senko, Luís Senko. hehehehe

    • http://www.estrategistas.com/ Paulo Ribeiro

      De fato. Quanto antes começar, melhor.

      O importante é focar na imortalidade. Uma vez que a gente resolva isso nas primeiras décadas, o resto é tranquilo.

      Amanhã começo a escrever o livro, pode cobrar mesmo ;)

      Abraço

  • http://mude.nu/ Walmar Andrade

    Acho que o esquema que o Ferriss propõe é interessante e pode servir para muita coisa, mas observar a realidade também traz alguns insights interessantes. A pergunta aqui é: quantas pessoas que jogam bem futebol no mundo todo seguiram esse esquema? Vou arriscar que menos de 1%. Então talvez essa não seja a estratégia mais efetiva. O que não quer dizer que não possa ser usada para aumentar habilidades. Não sei se me fiz entender.

    Belo post, Paulo!

    • Daniel Alves

      Então isso significa que podemos fazer parte de uma boa minoria. Não veja isso pelo lado negativo, se você consegue se visualizar como vai ser, por que não?

      • Gérson

        Entrando de gaiato na conversa de vocês, o Daniel Alves, “dissecou” perfeitamente o monstro, ou melhor o Ronaldinho Gaúcho, acima.

        Eu acredito que sempre que queremos alguma coisa é natural que a gente se inspire no top top top top 1%.

        O diferencial é que em vez de você querer usar os mesmos passos que ele deu para ter essa habilidade, nós procuremos saber exatamente qual é essa habilidade, e assim procurar a forma mais eficaz de conseguir a mesma habilidade.

        No caso do Ronaldinho, ninguém vai ser como ele, mas como o Daniel disse acima ele usa a visão periférica, se você puder treinar apenas isso e se especializar nisso, talvez vendo videos do you tube, e ao mesmo tempo procurar um personal trainer para aguentar 90 minutos fazendo as mesmas jogadas, e aí procurar um amigo que tenha os macetes de como driblar, ou mesmo no you tube, sempre tem um cara ensinando algo novo.

        Quando eu era moleque, eu era muito ruim com as meninas, e percebendo isso, tinha um amigo que era o pegador, e perguntei a ele como ele fazia pras meninas correrem atrás dele. Ele falava que eu era muito quieto, menina gosta do cara que faz bagunça, que se diverte, e também falava pra provocar ela “você anda muito chata ultimamente, você era divertida”. E sempre ficar calmo, apenas respirar e se divertir.

        Embora seja uma habilidade aparentemente não muito útil, isso salvou minha adolescência, até porque eu era gordinho, e me achava feio, mas descobri que era a falta de atitude e a minha timidez que as afastavam e não a minha barriguinha, rsrsr.

        E isso me ajudou a na minha comunicação ao perder aquela timidez, consegui um estágio que virou o meu emprego a 5 anos e como falei acima, posso conseguir um MBA nos Estados Unidos, graças a esse emprego. Eu sempre estudei em escola pública, nunca sonharia em estudar fora do país quanto mais nos EUA, e mesmo assim já fiquei quase 1 ano no Uruguai. Agradeço a Deus todos os dias pelo meu emprego.

        Mas voltando a algo mais técnico, se você quer ser um empresário, provavelmente você vai se lembrar do Eike Batista, afinal ele é o mais rico do Brasil, e mesmo perdendo a posição de top 10, todos sabem que ele é o responsável pela escavação do pré-sal e que provavelmente quando estiver finalizado (entre 7 e 15 anos, ainda estamos no Brasil, rsrsr), ele provavelmente será o Nº 1.

        Se você olhar apenas pelo lado do dinheiro, você vai achar que vale mais a pena se espelhar no dono daquela loja de 1,99, mas se você ver as habilidades dele, verá que há muito coisa a aprender com ele, no seu livro ele fala sobre a “Visão 360″, algo nunca sequer mencionada pela grande maioria dos autores teóricos da administração que ganham a vida com seus livros, mas nunca tiveram uma empresa.

        Quem já leu “Pai Rico, Pai Pobre”, viu ele explanar sobre como proteger as empresas numa sociedade anonima, sobre a alavancagem, etc… Conceitos que eu nunca tinha sequer pensado a respeito.

        O Eike fala sobre algo ainda mais inédito, sequer mencionado antes, além de falar da engenharia jurídica do Robert Kyosaki, ele vai mais longe nas engenharia políticas e de meio ambiente, muitos empresários se perdem em não saber nada sobre as legislações, municipais e mesmo ambientais (como o caso dos barzinho, que muitos fecharam após a tragédia do incêndio em Santa Maria), parece uma coisa trivial, mas quanto desses empresários não estão perdendo enquanto ficam de portas fechadas.

        A própria engenharia da comunicação (marketing), embora eu prefira a visão do Tim nesse quesito, mas podemos aprender muitas coisas com os top top top top 1%.

        É claro que numa área mais teórica como física, biologia ou matemática talvez não seja tão simples, mas como não é a minha área, não vou ser hipócrita de falar sobre o que eu não conheço, isso seria um exercício de futilidade.

        Paulo, comente sobre o que eu disse aqui, se eu estou indo pelo caminho certo, ou se estou falando bobagens, aguardo seu feedback.

        • Daniel Alves

          Bem legal seu texto. Sobre sua adolescência, gostaria de compartilhar um episódio da minha vida:

          Antigamente eu também costumava ter problemas com as mulheres, sempre fui muito tímido, procurava até coisas no Google sobre “como conquistar mulheres”, frequentava fóruns sobre o assunto, e horas o que lia dava certo e outras dava tudo errado mesmo eu seguindo os passos cautelosamente. O fórum mais popular era um sobre como ser um artista da pegação(Pick-Up Artist). Saía todo dia e me esforçava pra abordar o máximo número de mulher que pudesse no dia, já cheguei a abordar 20(inclusive mulheres bem mais velhas que eu, na idade de 16 anos) num shopping e sair sem pegar ninguém. E foi assim durante uns bons meses.

          Até que tive um dia em que tudo deu errado e como estava num momento difícil na minha vida – me encontrei num estado de revolta pela falta de consistência dos resultados que queria – joguei tudo pro alto e resolvi que no dia seguinte seria uma pessoa totalmente diferente, então o que fiz foi ser ainda mais confiante com as mulheres, tirar sarro com elas, fazê-las com que se sintam com o valor abaixo do meu, que por fim acabei perdendo a amizade de pessoas-chave em minha vida por essa minha “mudança de persona relâmpago”.

          Daí achei um livro sobre neurolinguística e realmente compreendi que o que estava fazendo era em vão, e que todas as pessoas são únicas e possuem experiências que representaram de modos diferentes, que jamais poderiam ter a sua “receita” para ser atraída escrita em um post/ebook de modo genérico, universal. O pior, é que todos os GURUS da sedução sabiam disso, mas não eram cientes da importância de deixar isso explícito. Já aconteceu comigo que diante de um certo grupo de mulheres usando uma mesma abordagem, fui taxado como metido, arrogante, desumilde ou qualquer outra coisa enquanto por outro grupo distinto de mulheres fui recebi como engraçado, de bom humor, interessante e etc.

          Hoje, estou aqui: Aprendi MUITO com essas experiências, perdi a timidez, não tenho nenhum problema sobre como atrair mulheres, compreendo que ser rejeitado é a coisa mais normal possível e não uma falha de método, e fielmente dedico o meu tempo aos critérios que eu realmente quero pra minha vida e não o que eu achava que as mulheres gostariam que eu fosse.

          • http://www.estrategistas.com/ Paulo Ribeiro

            Apesar de histórias diferentes, temos fatores em comum. é incríveil como todo mundo é mais parecido do que imagina.

          • Gérson

            Concordo Paulo, pra mim foi um achado esse seu blog, espero aprender muito com vocês.

          • Gérson

            Nossa Daniel, que interessante não sabia sobre fóruns e gurus, mas me parece bem interessante, vou até pesquisar mais sobre isso no querido “google”, rsrrsr, pena não ter descoberto isso a uns anos atrás,, só não sei se tenho coragem de abordar 20 garotas aleatórias por dia como você falou, rsrsrs.

            Eu gosto muito de baladas, eu namorei muito tempo e quase fiquei noivo, mas não deu certo e a gente acabou se separando, faz quase 2 anos já, desde então, fim de semana eu gosto de curtir, as vezes vou pra Sorocaba, São Paulo, mas eu gosto mesmo é de Campinas, em festas assim as garotas são bem “soltinhas” (rave são até mais, mas não gosto do clima das raves já fui em umas 3, mas não é minha praia) e pra falar a verdade não sinto falta nenhuma da vida de comprometido, rsrsrsr.

            Mas é só em balada mesmo, ou algum evento cultural, mas em shoppings como você falou é complicado, rsrsrsr

        • http://www.estrategistas.com/ Paulo Ribeiro

          é por aí mesmo, cara. seu texto cobriu muitas coisas, mas tem sentido o que você discutiu.

          não sabia que o livro do Eike era bom, ouvi vagamente dizer por aí que era fraco. você acha que eu deveria lê-lo?

          • Gérson

            O livro em si é fraco, é mais focado na trajetória dele (igual ao do Roberto Justus), vou passar um link pra você baixar, não está completo, mas dá pra ter uma base: http://www.4shared.com/office/1HGOgtzH/O_X_da_questao_-_Eike_Batista.htm

            Mas no site dele ( http://www.eikebatista.com.br/page/visao.aspx ), existe um “sinopse” do método dele, mas ele não explica certinho como funciona cada um, porém se analisarmos bem as nove engenharias (ele já desconstruiu o monstro), dá pra entender bem como são criadas as empresas dele, e acredito que é a “teoria” mais completa de modelos de negócios. por exemplo engenharia de logística, aonde vai ficar sua empresa, ela está num ponto estratégico em que possa receber a mão de obra e ao mesmo tempo possa embarcar para o cliente, ou no caso do varejo, ela está posicionada num local em que atraia o público alvo.

            Como o próprio Tim fala, os top top top top 1%, não são os melhores em explicar, mas vale muito a pena se familiarizar com o modelo de negócios do Eike Batista, dê uma conferida no site dele que vale muito a pena.

    • http://www.estrategistas.com/ Paulo Ribeiro

      Talvez estás pensando na ordem contrária?

      Não se trata de olhar para o mundo, ver quem está tendo sucesso e copiar os métodos deles. Não importa que método você use, você provavelmente nunca vai ser um Ronaldinho Gaúcho: há dezenas de fatores envolvidos, acaso e genética inclusos, para formar alguém top do top do top. Segundo Ferris, você pode chegar sim ao topo dos 5%.

      O lance aqui é copiar as pessoas que ficaram muito boas em algo, em pouco tempo. Pessoas que, tecnicamente, não teriam condições de ficar boa naquilo; como se o desempenho delas fosse contra a lógica: essas pessoas sucederam bem em descontruir e atacar a habilidade.

      E o fato de não ter ninguém lá fora usando o método não quer dizer que não funcione. Basta olhar para a vida do próprio Tim como exemplo (e pode esperar, dentro de alguns meses vários leitores e seus casos de sucesso adquirindo habilidades fodas por aí).

      Abração!

  • Daniel Alves

    Paulo, então analisando o jogador Ronaldinho nessa sistemática, poderia ser assim:

    1. Um meia-atacante que joga numa posição possível de dar assistência e fazer gols sem especificamente, de um modo criativo.

    2. Preparo físico, velocidade, inteligencia, criatividade, força, etc…

    3. Foco na velocidade de pensamento, imaginando sempre a situação antes dela acontecer, visão periférica, gingada e dribles enganadores. Primeiro “ler” a situação antes da bola chegar nos pés, depois driblar e ver qual a melhor opção a se fazer usando a visão periférica(note como o Ronaldinho usava muitas jogadas envolvendo o calcanhar/lado do pé, o oponente pensava que ele estava olhando pra outra direção, etc.) e sempre se manter naquele estado de “eu to no meu mundo, aqui são as minhas regras” de um modo brincalhão. Acredito que a mente tem um poder sobre a realidade.

    4. Um bom plano de prática seria coisas que envolvessem reflexos e um raciocínio lógico/rápido, visão periférica… deveria ser pensado sobre isso.

    5. No pain, No gain: tempo de prática até “doer”, uma grande frase do herói do Box, Muhammad Ali quando o perguntaram quantas abdominais ele fazia: “Eu não conto quantas repetições faço, só começo a contar quando começa a doer. Aí eu começo a contar”.

    6. Não há como não se divertir. É paixão.

    Abraços, muito bom artigo! Comente o que achou dessa minha analise. Obrigado.

    • http://www.estrategistas.com/ Paulo Ribeiro

      Puts, que descrição boa, Daniel!

      Esse lance que você apontou aí dele fazer “muitas jogadas envolvendo o calcanhar/lado do pé, o oponente pensava que ele estava olhando pra outra direção” é uma observação muito, muito perspicaz. Parando para pensar, faz todo sentido!

      Se eu fosse você, colocaria um pouco mais de foco nas atividades físicas, que são mais fáceis de desenvolver. Do tipo : habilidade de passe, velocidade, posicionamento, toque rápido e precisão na hora do chute.

      Enquanto que inteligência e “viver no próprio mundo” é importante, é mais difícil de desenvolver deliberadamente e mais fácil de pegar aumentando a prática.

      De todo modo, curti.
      Abraços

  • Diego

    Aprender se divertindo não é contra-intuitivo e sim “contra-senso comum”!!!

  • Gérson

    Que ótimo artigo Paulo, encontrei seu blog, por acaso procurando sobre o novo livro do Tim Ferriss “4 Hour Chef” e acabei me surpreendendo com o seu blog, já está entre os meus favoritos.

    Aproveitando a oportunidade, gostaria de pedir que você fizesse um artigo de como aplicar esse método para aprender “inglês”, eu aprendi muito rápido o espanhol e o italiano, morei quase um ano no Uruguai cheguei lá sem saber nada, e só na convivência fiquei fluente, e todos falam que o espanhol da América do Sul é o mais difícil.

    Mas com o inglês é diferente, eu não consigo pegar os macetes da língua, a fábrica aonde eu trabalho quer me pagar uma pós-graduação (MBA) nos Estados Unidos, porque eles tem uma parceria com uma universidade de Louisiana, mas eu não entendo nada de inglês, e não sei como “desconstruir” um idioma para aprender as suas sub-habilidades.

    Não sei se você tem interesse por idiomas, mas se tiver, e puder pelo menos dar o ponta pé inicial, eu agradeço muito. E mesmo que não possa ajudar, ainda serei um um seguidor fiel do seu blog, já estou aprendendo muito com você.

    Abraços Paulo

    • http://www.estrategistas.com/ Paulo Ribeiro

      Ah, opa Gérson, obrigado pelo feedback, muita bacana ouvir de você.

      Oportunidade para fazer MBA nos EUA? mano, vamos deixar isso passar não. Faz assim, tem esses dois textos que já escrevi sobre aprendizado como convidado mais um videocast aqui.

      Assim que passar a correria da escrita do livro, eu vou pensar na melhor maneira de desconstruir a língua, beleza? Fazer o possível para te ajudar nisso aí.

      Enquanto, saca esses materiais:

      [1] http://papodehomem.com.br/se-eu-fosse-aprender-ingles-de-novo-e-assim-que-faria/

      [2] http://papodehomem.com.br/autodidatismo-nao-e-coisa-de-genio/

      [3] http://estrategistas.com/videocast-meta-aprendizado/

      Abraço

      • Gérson

        Muito obrigado Paulo, acho que o meu problema é encontrar os materiais certos, fiz 3 anos de inglês no ensino médio, mas não consegui aprender a língua, até conheço as palavras e consigo formar algumas frases, e com um “brasileiro que fala inglês”, eu me viro, mas com um americano a coisa é diferente, eu não consigo entender “UMA” palavra do que eles falam.

        Eles usam gírias, e formas que eu não aprendi, por exemplo, numa série eu vi essa frase “Me and my friends” no começo da frase, eu aprendi que seria “I and my friends” para executar uma ação, e o “me” seria um agente passivo, que não executa a ação, mas sofre a ação. Porém na prática isso não é bem assim.

        Outro caso clássico é o like, sempre aprendi que like seria gostar, mas naquela famosa música da banda Scorpions “like a hurricane” seria “como um furacão”, e eles usam muitas expressões, que as escolas de idiomas não ensinam.

        Não é falta de trabalho duro, porque eu aprendi o Italiano, apenas fazendo o curso, até na mesma escola, mas é diferente você aprender uma língua que tem a mesma origem latina, e a construção da frase é praticamente idêntica, e aprender uma língua de origem diferente (como seria o alemão, japonês, russo, etc), como você falou no texto, acredito que são usadas partes diferentes do cérebro para aprender, até mesmo com idiomas, se eles tem uma origem diferente.

        Uma amiga que fala inglês, diz que aprendeu os “macetes”, lendo livros de ficção americana (tipo Harry Potter, Crepúsculo, O Senhor dos Anéis, etc…) e assistindo as séries e filmes em inglês com legendas, e no outro dia assistir o mesmo episódio ou filme sem as legendas, pra não ficar escravo das legendas pra entender.

        Sobre filmes com legendas em inglês e depois sem elas, eu nunca perguntei, mas sobre os livros, um professor do cursinho falava que isso prejudicava pois você ia ler, mas sem saber exatamente como se fala aquela palavra.

        Porém ela aprendeu em 1 ano o que eu não aprendi em 3, e ela consegue entender qualquer filme sem legendas, e falar com um americano com o mesmo sotaque de um nativo e o mais incrível sem nunca ter viajado ou ter feito um curso.

        Vou ler os seus posts sim Paulo, e fiquei feliz de saber que você também gosta de aprender novos idiomas. E se você puder fazer uma desconstrução do inglês, Paulo, te agradeço muito, cara, de verdade mesmo, deixando o ego de lado, preciso de muita ajuda, não consigo pensar em como desconstruir um idioma em habilidades e sub-habilidades.

        Mas só pra adiantar, você acha que vale a pena seguir as dicas da minha amiga e ler alguns livros de ficção, (o próprio Tim fala no livro dele, que comprava uma edição do livro dele, nas línguas em que ele estava aprendendo) ou devo apenas assistir as séries e filmes?

        E muito obrigado por ter respondido tão rápido, estava na dúvida se fazia a pergunta nesse post, ou procurava o seu último, mas é que esse foi perfeito.

        Muito obrigado Paulo, abraços.

  • Pedro Gabriel

    Paulo eu treino exaustivamente mais nao consigo aplicar meu futebol, tenho habilidade e treino mto mais na hr de jogar fico timido com medo de errar, com me de ser criticado ja cheguei ate a desistir do fut mais voltei, vc me aconselha algo? a e tenho 14 anos

  • gabriela

    eu nao intendi nadinha e um trabalho?