Pare de Chutar o Cachorro: O Que Fazer Quando o Trem Sai dos Trilhos

Uma passagem bem comum em filmes, desenhos e ficções no geral é aquele ato de maldade que o vilão faz simplesmente porque ele é vilão. Sem necessidade, sem servir a nada; pura maldade.

O vilão pode literalmente chutar um cachorro, ou ser malvado com uma pessoa com deficiência, ou roubar o dinheiro do pedinte… não importa. Ele vai fazer alguma coisa sem necessidade que vai nos fazer desgostá-lo.

Essa passagem é tão comum que recebe o nome de “chutar o cachorro”, em um site que desconstrói as partes comuns de histórias.

Os autores fazem os personagens chutarem o cachorro. Quando isso acontece eles cometem uma ofensa sem necessidade. A audiência começa a criar uma animosidade para com eles. […] O que separa esse ato dos outros atos malvados ou cruéis é que não apenas o ato é mau, mas também sem objetivo algum para avançar a trama.

TVTropes.org

Eles descreveram a situação bem, mas deixaram uma parte importante de fora.

Sabe o momento em que os planos do vilão falham e ele precisa descarregar a frustração, daí termina descarregando ela com alguma maldade desnecessária?

Essa é uma das instâncias do “chutar o cachorro”; embora seja sem sentido para a trama do vilão (não vai ajudar a resolver o problema), ela serve como uma função psicológica importante.

E é aqui que ela se conecta com sua produtividade.

Quando dá tudo errado, o vilão chuta o cachorro porque é algo que ele pode fazer, mesmo que sem finalidade alguma. É a necessidade de ser capaz de controlar alguma coisa, qualquer coisa, que o move.

Já que os planos falharam por causas externas, sob as quais ele não tinha controle, bem, pelo menos ele pode chutar o cachorro, já que essa é uma escolha que ele controla.

No dia a dia, fazemos algo parecido. Quando as coisas começam a dar errado e a produtividade vai pelo espaço, você faz sua versão de chutar o cachorro: começa a se sentir mal consigo mesmo.

Veja se isso faz sentido: você tem um plano, coisas acontecem que atrapalham o plano e ao invés de você analisar, aprender com os erros e seguir em frente, o que você faz? Começa a se sentir mal.

Nós todos já estivemos nessa mesma estrada.

Assim como chutar o cachorro não vai avançar os planos do vilão, sentir-se mal consigo mesmo não vai lhe ajudar, apenas passar a ilusão de controle.

O que fazer, então, quando o dia não for produtivo?

Simplesmente tente não fazer nada estúpido.

Não saia para fazer compras. Não tome decisões importantes. Não se entregue a comidas ruins. Não quebre nada.

Você está jogando o jogo de longo prazo aqui. Contanto que você não acumule muitos danos, um dia no qual as coisas dão errado não vai te atrapalhar.

Mas caso você faça algo obtuso, amanhã você vai ter que consertar a bobagem de hoje e tentar compensar o trabalho não-feito, ou seja, o trem vai descarrilar.

Em particular, nesses dias, eu gosto de desligar o computador e passar o dia fazendo atividades físicas (corrida) e lendo. Saio de casa sem carteira (cartões de crédito/débito) no bolso, só com o dinheiro para 2 ou 3 expressos e vou para uma cafeteria legal ler.

Dias ruins passam rápido. O estrago que você pode fazer neles não.

Pare de chutar o cachorro, de se sentir mal de propósito só para ter algo o que controlar. Simplesmente aceite que essas coisas acontecem e siga adiante. Amanhã, num dia bom, você pode analisar objetivamente o que aconteceu e aprender com o processo.

 

Paulo Ribeiro

Autor, empreendedor, amante do aprendizado e um estrategista moderno. Escreve sobre estratégias para viver uma vida melhor e mais significativa.