Qual é o Caminho Para Conseguir Satisfação no Trabalho e na Vida?

Satisfação é um dos fatores mais importantes e ignorados quando se mergulha no mercado de trabalho.

Antes de começar a trabalhar, todo mundo é um idealista. Ainda naquela fase de escolhas pela qual os jovens passam, pensa-se muito no tema. Busca-se uma carreira pela qual haja interesse, que seja prazerosa e que envolva, de preferência, um hobby pessoal ou algo em que você “seja bom”.

No entanto, conforme o tempo passa, vai ficando claro como está cada vez mais difícil ter uma carreira bem sucedida, quem dirá uma carreira que traga satisfação. O resultado é que se termina desistindo daquele desejo interior em prol de “buscar comida para colocar na mesa”.

Pode ser que essa seja sua história.

Sem dúvida é a história de milhões de brasileiros. Algumas centenas deles encontraram nosso site e resolveram perguntar a respeito. Sem dúvida, questionamentos sobre insatisfação profissional estão no topo de temas mais comuns nas mensagens que Eduardo e eu recebemos.

Por ser algo com o que lidamos desde o dia 1 do Estrategistas (já deu uma olhada em nossa história?), é um tema sobre o qual aprendemos bastante nos últimos três anos.

Apesar do que possa parecer, independente de sua idade, quero deixar este ponto bem claro: sim, é possível construir um caminho profissional com satisfação e prosperidade financeira.

 

O Frio na Barriga ao Pensar na Segunda-feira

Segunda de manhã

O mais provável é que o problema seja bem antigo, mas podemos especular suas causas.

Sentir ansiedade em torno da segunda-feira é um sinal simples de descontentamento com o caminho que sua rotina (profissional, de estudo ou dos dois) está tomando. A forma como esse sentimento se expressa é curiosa e podemos até especular como ela tem mudado com o tempo.

No século passado, o mais provável é que as pessoas enfrentassem a síndrome do domingo de manhã. Ao acordar no domingo, sem obrigação de ir ao trabalho, elas se deparavam com um vazio. Ao encontrar um momento em que não eram obrigadas a nada ficavam perdidas.

Viktor Frankl, psicólogo que sobreviveu a múltiplos campos de concentração, chamou isso de vácuo existencial.

A grande diferença da nossa geração é que somos muito bons em distrações. Há redes sociais, filmes, jogos e entretenimento a um clique de distância. Nesse contexto, é razoável supor que o vazio não venha à superfície tão facilmente. No primeiro sinal de incômodo, puxamos o celular do bolso e abrimos uma nova conversa.

O vácuo existencial hoje se expressa através da síndrome do domingo à noite. Como estamos o tempo todo entretidos e distraídos, só notamos a futilidade de tudo isso quando nos deparamos com a repetição da rotina em ciclos.

Pensar na segunda-feira nos faz lembrar do vazio que sentimos e por isso causa ansiedade. Não é nem que nossa vida seja ruim; muitas vezes ela nem é. O problema é que o vazio é tão significativo e incômodo que nos impede de enxergar tudo aquilo pelo qual deveríamos ser gratos.

Ninguém gosta de lidar com situações ruins, então a tendência é enterrar esses problemas e não pensar sobre isso.

 

Um Exemplo de Como É Possível Viver de Modo Diferente

Bootcamp da Exosphere no Chile
Galera da Exosphere, durante o bootcamp que participei

Quando eu pude ver de perto, foi um choque.

Eu estava no Chile, viajando a convite de uma startup com a qual estava trabalhando. Boa parte do relacionamento que desenvolvemos até então tinha sido através de email, facebook e Skype (as maravilhas do mundo moderno). O encontro pessoal estava acontecendo naquele momento (depois de 1 ano de trabalho juntos), quando eles me voaram para encontrar a equipe.

O perfil das pessoas era completamente diferente de tudo com o que eu já tinha encontrado. Elas não só eram interessantes, mas transmitiam uma vibe de excitação, de propósito.

Havia gente de todo tipo: empreendedores iniciantes, donos de negócios, pilotos de avião, estudantes de faculdade… uma mistura e tanto. E mesmo aqueles que estavam “meio perdidos” profissionalmente, exalavam energia e estavam ativamente buscando coisas novas.

Especialmente esse ponto me deixou curioso.

Afinal, a maioria das pessoas com quem convivia até então já tinham um script de vida bem definido. Buscar uma carreira na profissão X, ou fazer pós-graduação, ou estudar para concursos, ou entrar no mundo militar… E quem não sabia qual script seguir não estava explorando, estava sofrendo por não saber o que fazer na vida.

Durante essa viagem caiu a ficha do abismo que existe entre as pessoas bem resolvidas existencialmente (mesmo os “exploradores” ativos, que ainda não têm certezas) e de quem é frustrado com a rotina do dia a dia e vive de feriado em feriado.

Que havia muitas pessoas frustradas com a escolha profissional (que, claro, tem consequências existenciais), eu já sabia. Sempre foi um dos temas mais perguntados quando as pessoas entram em contato conosco.

A pergunta que não saía da minha cabeça é: como mudar essa situação? Será que é algo que dá para replicar?

 

Seguir Sua Paixão Seria o Caminho?

Steve Jobs 2010

Seu trabalho vai preencher grande parte de sua vida e o único jeito de estar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um grande trabalho. E o único jeito de fazer um grande trabalho é amar o que você faz. Se você não encontrou ainda [o que você ama], continue procurando. Não desista.

Poucos vídeos geraram mais comoção quando assistidos do que este discurso de Steve Jobs. Se você ainda não o viu….

“Siga sua paixão” é uma recomendação que explodiu de popularidade nos últimos cem anos. E um conselho bem ruim, para falar a verdade.

O que a maioria das pessoas não consegue diferenciar quando pensam sobre paixão e caminhos profissionais é a distinção entre a linha de chegada e o percurso.

Sim, o final do jogo que queremos, o lugar que almejamos é nos encontrar em um momento da vida em que amemos o que estamos fazendo. Mas isso não significa dizer que sair por aí seguindo sua paixão seja uma boa ideia para chegar lá. Porque, na realidade, não é.

Não existe evidência de que seguir sua paixão vai te levar a, sabe, amar o que você faz. Três coisas ficam subentendidas quando alguém fala a respeito de seguir sua paixão. Primeiro, que você tem uma paixão. Segundo, que seguir sua paixão vai conduzir você a amar o que gosta. Terceiro, que será possível, em termos práticos, se desenvolver e prosperar nessa jornada.

Embora gostar do que faz seja algo essencial (e onde queremos chegar), seguir aquilo pelo que você é apaixonado não é uma boa estratégia para isso.

 

Paixão Pode Ser o Problema, Não a Solução

Já ouviu falar na expressão “fogo de palha”?

Ela é usada por pessoas que costumam ser muito empolgadas para começar novas atividades mas nunca conseguem se manter em lugar nenhum.

Assim como o fogo consome tudo rapidamente quando iniciado sobre a palha, essas pessoas vivem de “explosão” em “explosão” de paixão, aqui e ali, sem nada de concreto para mostrar.

E esse mal nem é algo novo. Todas as culturas durante a história, dos gregos aos cristãos, alertaram contra essa paixão que consome o ser racional e de hábitos em busca de viver um momento que passa (em vão).

Nenhuma grande criação da humanidade foi feita com base em “paixões”.

Ryan Holiday, um mentor que menciono repetidamente por aqui, discutiu o tema de forma bem clara:

“Vamos começar com o óbvio: na vida, nós enfrentamos problemas complexos, com frequência em situações que nunca enfrentamos antes. Esses problemas novos e complicados tipicamente requerem soluções novas e criativas. Claro, energia é um componente na maioria das soluções. Mas o que é realmente necessário nessas circunstâncias é agir de modo deliberado e ser determinado de modo metódico. Mais criticamente, esses traços devem ser conectados a um senso de propósito”

Sentir paixão não é a mesma coisa que ter um senso de propósito. Paixão é pura energia, que existe apenas para se alimentar e gerar mais paixão.

Propósito, por outro lado, energiza você a fazer algo que considera importante. Não é autodestrutivo, pois sabe que você joga o longo jogo (há uma vida toda pela frente, não só essa noite que você quer virar acordado).

“Apatia nunca levou ninguém a lugar nenhum. Mas uma implacável e inquieta bateria, um corpo sempre em movimento, pode também se tornar em uma grande fraqueza, uma poderosa e incapacitante deficiência que será mal compreendida, ou pior, não reconhecida por aqueles que são drenados por ela.[…]

Thomas Edison explicou, uma vez, que em invenções, “o primeiro passo é uma intuição – e vem com uma explosão – então vêm as dificuldades”. O que diferenciava Edison dos outros inventores era sua tolerância para estas dificuldades, sua vontade de abordar todos os tipos de problemas que são endêmicos ao processo – não exceções a ele – e a dedicação constante que ele dedicou a ele mesmo no intuito de solucioná-los.”

Se você sente que tem energia demais, o que lhe faz pular de ocupação em ocupação, de faculdade em faculdade…

É hora de considerar se isso não é apenas uma forma de procrastinação, para evitar tomar a decisão realmente importante: o que fazer a seguir, ao invés de tentar fazer tudo ao mesmo tempo.

 

A Importância de Entender o Que Está Acontecendo

homem perdido

História e Geografia não parecem ser tópicos muito úteis enquanto estamos crescendo.

Afinal de contas, por que diabos eu preciso saber os povos que surgiram entre o rio Tigres e Eufrates, quem invadiu quem durante a Segunda Guerra Mundial ou quem diabos foi Franz Ferdinand?

Eu reconheço: se você não teve acesso aos mentores certos bem cedo ou a alguns livros bem especiais, é provável que você também ache tudo isso sem sentido.

Mas não é. A importância real é conseguir encaixar tudo que está acontecendo para entender os movimentos do mundo de hoje. Nós já discutimos isso em vastos detalhes quando falamos a respeito do que faz um estrategista.

De forma bem resumida, história é uma excelente forma de entender a natureza humana (que não mudou muito nos últimos milhares de anos) e como reagimos às mudanças. Geografia é uma boa forma de identificar essas tendências e entender em que direção estão caminhando.

Agora claro, a vida não é a escola. Nem tudo está compartimentalizado de forma regrada, então não existe “geografia” nem “história geral/do Brasil”.

O que você precisa é um punhado de conhecimento de vários lugares diferentes: entender um pouco de economia, sociologia, finanças, ter noção de períodos importantes da história (especialmente as mudanças sociais), daí em diante.

Você só consegue vencer um jogo em que você entende as regras. Pense na vida desse jeito e você vai começar a enxergar como ter conhecimento é uma das mais altas formas de poder.

E claro, o que você entende, você comanda.

Voltando para minha ida ao Chile, uma das características que identifiquei em todos com quem encontrei: todos eles estão vivendo bem no extremo das mudanças do mundo.

Isso significa fazer diferente do que a maioria está fazendo. Afinal de contas, quando chegar no momento onde já é socialmente aceitável fazer algo, não haverá mais vantagem competitiva em fazer aquilo.

Como Seth Godin colocou muito bem:

“Oportunidade é o que existe na lacuna entre o que é percebido como seguro (o que nós somos programados para perceber como seguro) e o que, na verdade, é seguro no mundo real”.

 

Sim, e eu começo por onde?

Início de corrida

O que eu tenho tentado dizer nas ultimas 1500 palavras se resume aos 3 seguintes pontos:

  • Estar bem resolvido profissionalmente é essencial para satisfação pessoal. Isso não vai acontecer simplesmente seguindo suas paixões atuais
  • Viver de uma maneira realizada e com propósito é possível. É o tipo de vida que Eduardo e eu estamos construindo (há +3 anos, se você tem nos acompanhado desde o começo!). É o tipo de vida que vejo nas pessoas mais bem sucedidas e felizes que conheço.
  • Para navegar nessas novas águas é preciso entender o que diabos está acontecendo. Bem-estar profissional não vem de “negócios da internet”,  que permitem “trabalhar sem sair de casa”, mas de alinhar suas aptidões com seu propósito de maneira esperta.

Você dominará o “COMO” se estiver com um entendimento claro de como as coisas funcionam.

Por enquanto (ainda estou trabalhando na futura edição da Tríade da Vocação), há três coisas que posso fazer para lhe ajudar nesse caminho.

A primeira, já estou fazendo, junto a Eduardo, nos últimos 3 anos, que é documentar nossa jornada e compartilhar o melhor que estamos aprendendo. De certo modo, o Estrategista é nossa resposta à jornada de autodescoberta que iniciamos.

Segundo, a edição da lista de recomendação de leitura desse mês será temática: vou focar na discussão de vocação, descoberta de propósito e prosperidade financeira. Se quer receber livros a respeito, não deixe de assinar.

Por fim, fiz um apurado dos materiais que considero importante, em ordem, para lhe ajudar. Sabe-se que mudança vem de ação, mas apenas de ação diferente.

Agir fazendo o que você sempre fez não vai alterar sua condição atual. Permita-se um tempo para entender o que diabos está acontecendo no mundo à sua volta antes de agir em busca de mudar as coisas.

Em ordem:

1. Assuma responsabilidade pela sua vida. Sério, eu sei que reclamar nos faz sentir um pouco melhor, mas a situação não muda se você não assumir o bastão e ir ao trabalho.

2. Faça controle de danos. É hora de preparar sua vida para o crescimento. Analisar recursos, pendências e estimar mudanças futuras.

3. Aprenda a extrair o máximo das leituras. Você estará lendo bastante daqui para frente.

4. Comece a acumular capital de carreira. Seu “eu” futuro agradece.

5. Mesmo perdido, não fique parado.

6. Investigue suas aptidões.

7. Investigue o seu porquê. Descubra o que você tem para proteger.

8. Busque entender mais sobre o mundo atual.

9. Preste atenção em quem já faz exatamente o que você deseja.

10. Cerque-se do maior número de pessoas interessantes possível.

11. Leia bastante, especialmente não-ficção de qualidade (evite best-sellers).

12. Olhe sempre para trás perguntando o que você realizou. Resultado vem de ação, como mostram os casos de sucesso.

13. Ter dias ruins faz parte. Planeje-se para eles. Use-os como plataforma para seu crescimento.

14. Investigue as ocorrências do efeito da Rainha Vermelha, especialmente em relação à felicidade (a esteira hedônica).

15. Fique de olho por aqui para receber mais sobre o assunto :)

 

E para você, como anda sua vida? Hora de começar uma mudança?

 

Paulo Ribeiro

Autor, empreendedor, amante do aprendizado e um estrategista moderno. Escreve sobre estratégias para viver uma vida melhor e mais significativa.

 

13 thoughts on “Qual é o Caminho Para Conseguir Satisfação no Trabalho e na Vida?

  1. Vinha sentido falta de conteúdo novo no site, porém vejo o motivo! Que texto!
    Lerei hoje a tarde e volto aqui para comentar, mas de antemão já agradeço pelo texto!

      1. Ontem a noite li ele todo, agora lerei novamente. Achei o texto bem verdadeiro. Sem fórmulas mágicas como você frisou, mostrando que a jornada é longa. Fico ansioso aguardando o próximo texto, enquanto isso vou ler todas as recomendações dadas ao longo do texto. Vai ser um volume bem interessante de leitura para os próximos dias.

  2. Ai até chorei com tudo isso ! Vários empregos , pular de faculdade em faculdade .. essa sou eu ..Como anda minha vida agora , sem emprego … com dificuldade para encontrar outro …tenho refletido bastante mais nao dei nem um passo ainda

    1. Esse é um problema mais comum do que você imagina, Francielle.

      É o tipo de coisa que ninguém nos ensina (nem faculdade, nem nossos pais), que temos que ir aprendendo com muita leitura, já que o mundo está mudando muito rápido.

      Espero que essa sequência de texto lhe ajude!

      Abraço

  3. Excelente artigo, Paulo! O único que li até hoje, sem “fórmulas mágicas”, e dizendo coisas que realmente, não querem dizer nada. Ansiosa pela continuação, sempre aprendo muito com o que leio por aqui. Gosto especialmente das recomendações de leitura ;)

  4. A cada dia que passa fico mais encantada com o blog.Estou naquela fase da vida de muitas escolhas, principalmente em “o que fazer da vida” e as leituras aqui no blog tem me ajudado bastante…Parabéns Paulo e Eduardo pelo conteúdo maravilhoso que vocês disponibilizam aqui.

  5. Boa tarde Paulo,me chamo Reginaldo sou de MT tenho 25 anos fiz 3 faculdades e não me formei em nenhuma.
    Achei ótimo o texto pretendo continuar visitando o site, porém tenho uma dúvida, meus projetos se diferem um pouco dos demais, pois meus pais tem propriedades, e já tenho a liberdade de trabalhar com elas, porém tudo que possuímos encontra se sem render oque poderia, meu pai confia em mim, mas no momento preciso de recursos para investir coisa que não temos, estamos vendendo uma das propriedades para poder ter recursos, me encontro muito impaciente e assustado, por estar totalmente sem dinheiro no momento e n tenho perspectiva de ter uma boa renda em menos de um ano e cheio de incertezas quanto ao futuro.
    Qual a sua sugestão??? Oque posso fazer ??? Espero que me responda!!! abraços!!!

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