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Uma coisa que nossa sociedade não faz muito bem é celebrar. De fato, eu nunca entendi perfeitamente a lógica de comemorar coisas em feriados pré-programados. Talvez porque a maior parte das pessoas sejam da classe trabalhadora e elas precisem de folga para “se divertir”, essa cultura de celebração em feriados se estabeleceu como dominante.

Mas eu não vejo muito sentido nisso. Você não tem que (necessariamente) comemorar quando datas chegam no calendário: isso não tem nada a ver com sua vida. Até mesmo o aniversário para mim é apenas uma desculpa para juntar os amigos em alguma atividade (que se sentem obrigados a vir porque foram convidados – caso contrário é muito difícil reunir 30 pessoas em um evento só);  não levo comemoração muito a sério, prefiro a reflexão.

A ideia é: celebre vitórias, não feriados.

Vitórias? Que vitórias? Pequenos metas de seu dia a dia que você finalmente alcançou. Seja a aprovação em um semestre difícil na faculdade, um aumento de salário no emprego, um projeto seu que finalmente saiu do papel, o fato de você ter finalmente aprendido a tocar aquela música no violão… aprenda a celebrar essas pequenas coisas do dia a dia ligadas a você.

Por quê?

1. Precisamos desenvolver um senso maior de gratidão

Como eu já disse, nós nem temos noção do quão afortunados somos por, por exemplo, ter um microondas em casa, ou água encanada, ou internet. Centenas de milhares de grandes mentes da humanidade trabalharam para que pudéssemos ter a vida construída hoje. Precisamos ser gratos.

E quando se trata de vitórias nossas, mais ainda. Sermos gratos às pessoas que nos ajudaram é algo importantíssimo para criar um ambiente positivo onde todos se sintam à vontade (e felizes) para trabalhar juntos.

2. Depois que alcançamos uma meta, subestimamos nosso próprio esforço para buscá-la.

Esse ponto é o mais estranho. Existe um viés cognitivo chamado “viés da retrospectiva“.

“Quando você aprende algo novo, você rapidamente edita seu passado de modo que você possa sentir o conforto de estar sempre certo.” Você não é tão esperto, David McRaney

Então, depois que você alcança uma meta trabalhoso ou faz algum trabalho extraordinário, a seu ver, aquilo passa a ter menos valor, como se fosse algo que você sempre soube ser possível ou como fazer. E na realidade não foi.

Por isso, eu assumi a política de comemorar tudo aquilo que eu consigo de legal, buscando me sentir grato e compensar as pessoas que me ajudaram no processo.A inspiração para esse post, por exemplo, surgiu de um papo que eu tive com um amigo de longa data há alguma semanas. Algo como:

– “eita Paulo, vai ficar mais velho, hein? Você tem muito a comemorar.”
– “Eu? Ah sim, ficando aduto, é uma data especial.”
– “Não, não por isso. Você alcançou muitas coisas legais esse ano, como x, y e z. Muito bom mesmo”

Foi aí que eu percebi como estava sofrendo do problema da ingratidão e do viés de restrospectiva. Precisou que um amigo me lembrasse das coisas legais que eu tinha alcançado nesse meio tempo. Agradecimento especial a Felipe Cardim.

  • Como Parar de Planejar e Começar a Fazer? | Estrategistas
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    Como Parar de Planejar e Começar a Fazer? | Estrategistas

    […] não faço. Por mais que eu me esforce, algo sempre fica de lado. Você tenta olhar para os lados, praticar gratidão e celebrar as coisas legais que tem na vida, mas essa inquietude parece ser humana. Principalmente para alguém ambicioso o suficiente para […]