9 Leis do Poder Que Não São Maquiavélicas (E Como Aplicá-las No Dia a Dia)

Ter mais poder é o desejo de todas as pessoas, quer elas tenham consciência disso ou não.

Se entendemos poder como a habilidade de influenciar o mundo e as pessoas que nos cercam, não tem como atribuir nada “maligno” ao poder; só com as pessoas que abusam dele.

No dia a dia, a sensação de impotência é uma das mais perigosas que existem. No inglês, o termo helplessness descreve bem isso: aquele momento em que você se sente incapaz de influenciar qualquer coisa à sua volta.

Por isso, a escalada do poder é algo saudável para todos. Desde o poder sobre si mesmo com a busca da automaestria, até o poder de influenciar as pessoas a fim de conseguir seus objetivos.

Nesse artigo, eu separei 9 leis do poder úteis para qualquer pessoa e que não envolvem nada moralmente perigoso. O conhecimento daqui é “livre para todas as audiências” e, ao ser colocado em prática, trará muito poder para sua vida.

Continue lendo para descobrir e dominar os princípios por trás da obtenção de poder no dia a dia. Você descobrirá:

  • A importância de focar nas suas forças
  • Como planejar tudo até o fim pode garantir o sucesso
  • A vantagem que a ousadia pode trazer no seu dia a dia
  • Como ser parecido com a água e tirar vantagem disso.

Parece interessante? Vejamos, então.

Um livro fantástico escondido à vista de todos

48 leis do poder

Uma coisa que tem chamado minha atenção recentemente é como a resposta para alguns dos meus problemas estão “na minha cara” e eu não consigo enxergá-las. Às vezes é algo simples, que eu já sei, mas não aplico ao problema e fico perdido naquele ponto.

Após analisar alguns dos livros que já estão na cultura popular, eu descobri que As 48 Leis do Poder, do Robert Greene, é uma obra “ponto-cego”: poderia resolver muitos problemas, mas é ignorada.

Se você nunca ouviu falar do Robert, ele é um dos maiores estrategistas vivos, autor de cinco bestsellers internacionais e tem uma tendência a escrever extraindo lições da história, o que faz suas obras serem bem valiosas.

O primeiro livro do Greene foi sobre como obter mais poder, não só político, mas também de influência e de ação. Ele extraiu lições, que observou acontecendo várias e várias vezes ao longo dos milhares de anos de nossa história, chamando-as de leis. Ao total, 48 delas.

A obra pulou direto para a lista de bestsellers, vendeu milhões de cópias desde 1998 e já foi traduzida para dezenas de países, só para dar uma ideia a você do sucesso.

Controvérsia, claro, seguiu o livro de perto. Por abordar o tema do poder sem utilizar “luvas”, o livro passa uma atmosfera calculista e fria, compartilhando ideias como “aja como amigo, banque o espião”, “despreze o que vier de graça” e “oculte suas intenções”.

É provável que você já tenha lido ou ouvido falar dele. Como as opiniões a respeito são em geral bem polarizadoras (amado ou odiado), acredito que uma breve discussão a seu respeito (e sobre o poder em si) seja válida aqui para situar você mais adequadamente.

O Poder faz parte da natureza humana

robert greene

O livro do Robert é controverso, isso é inegável. E uma das principais causas é que ele não esconde nada: tudo quanto é jogo de poder com que você se depara no dia a dia é abordado na obra.

Uma vez que se domina as leis do poder (que requerem bastante prática) você vai observar as manipulações que as pessoas fazem, ainda que de forma implícita, e poderá decidir como proceder.

O que acontece é que algumas pessoas cresceram em um ambiente positivo, quase uma bolha no mundo. Nunca sofreram com fofocas, nunca tiveram mentiras espalhadas a seu respeito, nunca foram trapaceadas na busca por algo, enfim, cresceram ausentes de brigas de poder. E isso é ok, mas não representa a realidade.

Muitas dessas pessoas, logo ao entrar no mercado do trabalho, ficam chocadas quando descobrem seus “colegas” tramando para que sejam despedidas, prejudicadas ou para que não recebam a promoção. E quando isso acontece, elas não têm reação: “são pessoas tão boas, por que estão fazendo isso com elas?”

A realidade é que jogos de poder existem, quer você queira ou não. Em alguns lugares, esses jogos são explícitos e ninguém “esconde as garras”, como:

  • Entre traficantes de drogas
  • Ambientes com muito “ego” em jogo, como Hollywood
  • Na política
  • No mundo das grandes corporações

Em todas essas esferas, As 48 leis do poder foram muito bem recebidas pois passaram a servir de guia para quem não entendia o que se passava mas queria ganhar no jogo. Já no dia a dia, onde muitos desses jogos se passam implicitamente/debaixo dos panos/inconscientemente, as pessoas acharam um “absurdo” alguém discutir abertamente sobre manipulação e coisas afins.

Repito, somos seres sociais. Queremos a atenção de nosso grupo. Queremos o respeito das outras pessoas. Queremos poder para agir no mundo e causar mudanças. Tudo isso é natural.

Ter um manual discutindo como alcançar o que você deseja é excelente, mesmo que pareça “maquiavélico” ou manipulador. Só você vai definir a moral de suas ações e isso é algo que você faz depois que entende as regras do jogo.

Aplicando as leis no dia a dia

Como meu objetivo aqui é trazer o que é mais aplicável, vou deixar de lado as recomendações ou leis mais controversas. Para não precisar discutir moral, vamos focar nas leis do poder menos maquiavélicas, que, por si só, trazem resultados fantásticos quando aplicadas.

Escritores que se aprofundaram na natureza humana, antigos mestres da estratégia, historiadores da estupidez e loucura humana, reis e rainhas que aprenderam da maneira mais difícil a lidar com o peso do poder – o conhecimento deles está acumulando poeira, esperando que você suba em seus ombros.

– Robert Greene

Há milhares de anos as pessoas vêm cometendo esses erros. Essa é a maior vantagem de estudar a história: é mais esperto aprender com os erros dos outros ao invés de pagar o preço você mesmo.

Algumas lições são tão valiosas, inclusive, que estão em um documento secreto (agora não tão secreto) que mantenho com princípios pelos quais conduzo minha vida. Espero que você encontre tanto valor nelas quanto eu encontrei.

1. Não confie demais nos amigos. Aprenda a usar os inimigos

Friends Partying
Discussão: Gerencie sua confiança e seus relacionamentos

Não, essa lei não está pregando a paranoia de desconfiar de todos os seus amigos, como você pode ter imaginado.

O que ela realmente quer dizer é que a história nos ensina de novo e de novo que é muito comum nós avaliarmos incorretamente quem são amigos de verdade e o que isso significa. O que, claro, acarreta em falhas catastróficas, traições e mortes (hoje não tanto).

Principalmente essa segunda parte: o que significa ser um amigo seu? Que a pessoa tem que aturar todos os seus defeitos? Que vai dar apoio em todas as ocasiões?

A vida não funciona como nos filmes de Hollywood e as pessoas não são perfeitas. Um amigo não é uma máquina de fazer o que você precisa para lhe ajudar: é outro ser humano com interesses próprios e um universo interno. Eles podem ter dias ruins quando o tratam mal, estão susceptíveis a ter inveja de você e outros defeitos humanos. Nossa tendência natural é projetar nas pessoas o que imaginamos ser o conceito ideal de amizade, nos sentindo desapontados quando elas não agem de acordo. O que é um erro de nossa parte.

O conhecimento por trás dessa primeira lei, se eu fosse expressá-la de outra maneira, é: não romantize a amizade. Desse modo, você estará apto a entender melhor a outra pessoa e como construir uma relação em que vocês dois se beneficiem e cresçam como ser humano. Destrinche amizade em várias relações diferentes sob a mesma “categoria”. Como a luz branca se decompõe num arco íris, amizades existem em modos bem mais diferentes do que você imagina.

Não me entenda mal, eu tenho amigos fantásticos, pessoas por quem eu sou grato de ter na vida. Amizade real e verdadeira é possível mesmo sem você estar fantasiando coisas. É até melhor, uma vez que você não atrapalha a relação com atitudes desastrosas, como convidar um amigo para ser sócio só porque ele é amigo.

Inimigos? Eles também são úteis. Embora não seja mais comum ter inimigos hoje como foi em outros momentos da história, podemos enxergá-los na figura do concorrente, por exemplo. Em um negócio, concorrentes obrigam você a despertar o melhor para se manter em jogo. Na vida, eles fazem com que você trabalhe mais para conseguir aquela sonhada promoção ou a desejada vaga no concurso perfeito.

Aplicação:
  • A amizade não é um interruptor com apenas duas possibilidades. Há várias relações diferentes que se encaixam nessa categoria. Entenda cada uma de modo separado e as nuances das mesmas.
  • Não fantasie. A vida não é um filme, pessoas são imperfeitas, assim como você. Podem sentir inveja de seu crescimento, ter um dia ruim e tratá-lo mal, etc. Não projete suas ideias, aprenda caso a caso.
  • Inimigos são úteis. Competição é uma coisa boa. Estar na batalha requer crescimento e desenvolvimento de sua parte. Seja grato pelos desafios.

2. Diga sempre menos que o necessário

Homem gritando ao telefone sem fio

Discussão: Maximize o impacto do que você diz

Pensando objetivamente sobre a questão da fala, quais são as possibilidades: você pode falar mais, menos ou exatamente o necessário.

Há algum modo prático de saber qual é a quantidade exata que você deve falar em cada situação? Não.

As duas opções que restam: falar mais ou falar menos. Não preciso enfatizar qual a melhor alternativa: o mundo está cheio de pessoas falando. Ninguém aguenta ficar perto de um ser humano que fala demais. Por isso, a saída lógica é falar menos que o necessário.

Algumas coisas vão acontecer quando você cortar a quantidade de palavras ditas por dia.

  • Alguns irão ignorar o fato, o que significa que a quantidade extra que você falava era simplesmente barulho de fundos para eles, nada importante.
  • Outros irão estranhar você falando menos e vão dizer isso.
  • Você irá notar o quanto sua presença é apreciada, conforme você treina ouvir com atenção enquanto não fala. Suas relações irão melhorar pois você passará a aprender sobre o outro, o que é algo essencial para basear relacionamentos de qualidade.

Com o tempo, todos estarão condicionados a ouvir pouco de você, o que automaticamente faz o que você diz receber mais atenção. Por sua vez, você terá mais energia disponível e mais atenção à sua disposição. Todo mundo sai ganhando.

“Um homem disse a um dervixe: ‘Por que não o vejo com mais frequência?’. O dervixe respondeu, Porque a pergunta ‘Por que não veio me ver?’, é mais doce aos meus ouvidos do que as palavras ‘O que está fazendo aqui de novo?'”

– Mulla Jami

Aplicação:
  • Faça a resolução de falar menos por uma semana. Também adicione pausas de 3 segundos antes de responder. Note os resultados.
  • Não argumente na internet. Simplesmente não argumente. Afinal de contas, o que você vai ganhar em longo termo ao mostrar que algum amigo aleatório tem uma posição errada sobre um assunto qualquer?

3. Vença por suas atitudes, não discuta

Skate e um homem que provou ser capaz
Discussão: Não diga, mostre.

Essa é uma extensão de falar menos. Discutir, ao contrário de nosso impulso natural, raramente é útil. Argumentação é uma fonte de aprendizado caso você (seja e) esteja lidando com (um número muito pequeno de) pessoas racionais, que sabem processar argumentos, discutir fatos bem baseados e saibam que não existe “perder” em uma discussão, só aprendizado.

Caso tudo isso não seja satisfeito, discutir é gasto de energia. As pessoas acreditam no que querem acreditar e você não vai mudar isso.

Qualquer triunfo momentâneo que você tenha alcançado discutindo é na verdade uma vitória de Pirro: o ressentimento e a má vontade que você desperta são mais fortes e permanentes do que qualquer mudança momentânea de opinião. É muito mais eficaz fazer os outros concordarem com você por suas atitudes, sem dizer uma palavra. Demonstre, não explique.

– Robert Greene

Aplicação:
  • Evite discussões, dê preferência a demonstrações.
  • Só discuta caso a mudança de mente da outra pessoa seja algo necessário para que você alcance um objetivo seu. Se você não tem nada a ganhar, não desperdice energia, especialmente na internet.

4. Ao pedir ajuda, apele para o egoísmo, não para a gratidão das pessoas

Foque no egoísmo, não na gratidão
Discussão: Não espere dos outros o que você faria para eles

Argh, essa aqui é uma lição bem próxima a meu peito, já que tive um erro há algumas semanas que me custou literalmente milhares de reais.

Gratidão é uma coisa linda quando expressada, mas não é algo com a qual você deve contar. Nunca espere algo em retorno, óbvio, mas nem conte com “karma positivo” ou que a pessoa vai ter “consideração” com você porque você foi considerativa com ela.

O que você precisa entender é como o conceito de gratidão é frágil. O outro está retribuindo algo feito por você que o beneficiou, um sentimento que só existe de acordo com a ótica de mundo dele. Você nunca deve “contar com a gratidão na barriga da galinha”, pois é bem provável que do ponto de vista dele, você não o tenha beneficiado tanto quanto acha que beneficiou, livrando-o da obrigação de ser grato. Como as pessoas escolhem acreditar no que é mais cômodo…

Para fazer funcionar, é preciso apresentar a proposta de modo que o outro veja vantagem para ele também. Desse modo, ele reagirá entusiasmado. Essa é uma habilidade boa para se treinar para a vida, por sinal: alinhar o interesse dos aliados com os seus interesses de modos que eles estejam motivados a ajudar Vai facilitar bastante na hora de recrutar pessoas para suas iniciativas.

Aplicação:
  • Não conte com a gratidão quando precisar de um favor. Encontre uma forma de alinhar o interesse do outro com seu interesse.
  • Retribua bastante a gratidão de alguém. Eu costumo fazê-lo com lealdade, já que a pessoa se mostrou um pouco mais valiosa de se ter por perto por reconhecer o esforço que fiz.

5. Não se comprometa com ninguém

Amigos esperando o atrasado chegar

Discussão: Leve seus compromissos a sério.

Essa é óbvia, mas precisa ser lida entre as linhas. Alguém “revoltado” pelo tema ser pouco ortodoxo automaticamente interpretaria a lei acima como “não tenha compromissos, não seja fiel, blábláblá, que absurdo”. Quando se trata justamente do contrário.

Você precisa cumprir aquilo que diz para que sua palavra tenha valor. Mesmo as menores coisas! Quando você faz isso, posiciona-se como alguém digno de confiança, alguém sólido. Essa é uma característica que muita gente de sucesso procura em parceiros de negócios e em relações para a vida de modo geral. Quem não quer ter alguém na vida para confiar?

Recentemente eu ouvi em alguma entrevista, não lembro qual, o caso de uma banda que, antes de negociar com o produtor, requeria que fosse entregue no hotel deles uma jarra de M&Ms sem a cor vermelha. O chocolate não era importante, claro,  eles estavam checando, ao analisar a jarra, se o produtor era sério em coisas pequenas e aparentemente desimportantes, para saber se era digno de um contrato (algo muito maior).

Uma vez que você pratica manter todos seus compromissos com responsabilidade, é natural que pare de se comprometer com as pessoas, pois sabe como é custoso, já que ao contrário dos outros, você cumpre tudo o que diz.

Aplicação:
  • Experimente assumir todos os compromissos que faz por uma semana. Todos. Uma hora você vai notar como é uma quantidade absurda de coisas e vai começar a limitar suas promessas.

6. Concentre suas forças

gota concentrando-se ao cair de uma folha

Discussão: Consertar fraquezas é perda de tempo.

Ninguém espera que você seja perfeito, essa é uma ilusão.

Conforme o mercado de trabalho torna-se concorrido e os candidatos não melhoram na mesma proporção, as seleções começam a demandar aplicantes cada vez mais “well-rounded”, “arrendondados” (no sentido de sem pontas). Isso significa que eles esperam que você seja ao menos competente em várias coisas: domínio de línguas, relacionamento interpessoal, habilidade técnica, capacidade de liderança, culinária, arco e flecha, primeiros socorros, daí em diante.

O que é um caminho absurdamente difícil, se você pensar a respeito. Consertar todas as suas falhas? Trabalho demais. E se você fosse tão bom, mas tão bom em apenas uma coisa que eles fossem obrigados a lhe contratar porque simplesmente não há alguém como você para a função almejada? Afinal de contas, é mais fácil para você reforçar um ponto forte do que corrigir dúzias de pontos fracos.

A melhor estratégia é sempre ser muito forte; primeiro, em geral, depois no momento decisivo… Não há lei de estratégia melhor e mais simples do que manter as próprias forças concentradas… Em resumo, o primeiro princípio é: ajam com máxima concentração.

– Carl von Clausewitz

O mesmo vale para suas iniciativas; muitos projetos leva à dispersão de energia e reduz a chance de sucesso. Evite começar um novo curso, entrar na academia e praticar violão ao mesmo tempo; escolha uma coisa, foque intensamente e só então passe para a próxima.

Aplicação:
  • Dispersão leva à fraqueza. Diferencie-se sendo tão bom no seu ponto forte que seja impossível você não se sobressair.
  • Em projetos pessoais, foco. Uma coisa de cada vez.

7. Seja ousado

Discussão: Não hesite.

“Hesitação é sempre fácil, raramente útil”. A audácia desperta reações psicológicas fortes nas pessoas, faz com que você se destaque imediatamente da massa. Um movimento corajoso faz você parecer maior e mais poderoso do que é.

Especialmente no que toca a relações sociais. A maior parte das convenções sociais podem ser quebradas se você tiver a atitude certa. Todo mundo admira ousadia e ela telegrafa que você tem certeza que pode fazer aquilo; o que se torna uma profecia autorrealizável. Afinal de contas, quem vai lhe contradizer?

Já se você agir de modo hesitante? As pessoas percebem suas incertezas; os leões te cercam e você já era.

“Audentis Fortuna iuuat” (A fortuna favorece os ousados)

– Virgílio

Aplicação:
  • Decida o que quer fazer. Aja com ousadia. Você não precisa senti-la no princípio, contanto que aja. O costume virá.
  • Em caso de timidez ou incertezas, não aja se a situação for delicada. As pessoas têm um sexto sentido para esse tipo de coisa, é transparente em seu tom de voz, linguagem corporal e escolha de palavras.

8. Planeje até o fim

planeje até o fim

Discussão: Não deixe o otimismo cegar você.

Os benefícios de pensar positivo são reais: não vai atrair o que você deseja, mas vai melhorar sua visão de mundo deixando você mais aberto às possibilidades. Contudo, isso não quer dizer que você deva ignorar o que pode dar errado.

Planejar até o fim significa pensar em tudo que você consegue imaginar que possa dar errado. Tudo. E para cada uma dessas tragédias, ter um plano de contingência ou algo a fazer. E se o carro quebrar a caminho da prova? E se a internet cair no meio daquela reunião importante? Eu vou culpar o destino ou assumir responsabilidade e planejar até o fim com antecedência?

A experiência mostra que, prevendo com bastante antecedência os passos a serem dados, é possível agir rapidamente na hora de executá-los.

– Cardeal Richelieu

Essa mentalidade é válida, inclusive, na formação de hábitos. Em um dos estudos, pacientes idosos em processo de recuperação de cirurgias no quadril, um dos tipos mais dolorosos existentes, foram acompanhados no pós-cirurgia. Aqueles que planejaram o que fazer quando encontrassem dificuldades para se exercitar, como nos dias de chuva, voltaram a andar quase duas vezes mais rápido e a se levantar três vezes mais rápido que o resto.

Aplicação:
  • Espere o melhor, mas prepare-se para o pior. O objetivo é ser tão pessimista nas previsões (e preparado em seus planos para elas) que você acabe sendo mais pessimista do que a própria realidade, não tendo surpresas se algo ruim acontecer.

9. Evite ter uma forma definida

Ondas quebrando no mar sem forma

Discussão: Adaptação é o segredo.

Nada é certo. Você precisa estar aberto para o caos e fazer bom proveito dele. Se você cria planos rígidos, que dependem de muita coisa para dar certo, é claro que vai se dar mal: está apostando contra a realidade, contra o acaso.

O princípio é a flexibilidade. Ter em mente que as coisas vão mudar e levar isso em consideração desde a fase do planejamento.

“Seja água, meu amigo.”

– Bruce Lee

Você quer muito passar no concurso X mas não saiu o edital ainda, embora “esteja para sair” há algum tempo. O que você faz: só estuda para tal concurso para maximizar suas chances?

Não! Você busca território em comum daquele concurso com outros que estão aberto. Ao invés de se preparar para uma prova, busca melhorar cada módulo do conteúdo, de modo que você possa usá-los em mais de uma avaliação. Você leva em conta que o concurso pode não abrir e já fica preparado.

Ou digamos que você está em uma cidade nova e quer fazer turismo. De manhã cedo, você faz um itinerário contendo os pontos principais a serem visitados e coloca a melhor ordem para garantir que você cubra tudo?

Errado. As coisas vão dar errado e seu plano será frustrado. Por que não reconhecer isso já na fase do planejamento e deixar o dia livre, fazendo e visitando o que mais lhe chamar atenção naquele momento? Desse jeito, não importa o que aconteça, você nunca vai ser desapontado.

Portanto, o objetivo da formação de um exército é chegar à informidade. A vitória nas guerras não é repetitiva, mas adapta a sua forma infinitamente… Uma força militar não tem formação constante, a água não tem forma constante: à habilidade de obter vitória mudando e se adaptando segundo o adversário chama-se gênio.

– Sun Tzu

Aplicação:
  • Insira o fator acaso em seus planos, não apenas “prepare-se” caso ele aconteça, mas leve em conta que vai acontecer e aja a partir disso.

Recapitulando — Transformando Conhecimento em Prática

Se você chegou até aqui, adquiriu uma experiência equivalente a uns 1000 anos de idade.

Mas não se engane: ler a respeito de algo na internet não modifica seus resultados. Ou melhor, modifica pouquíssimo em comparação ao que mudaria caso você agisse de acordo com o que achou interessante.

Você agora tem uma boa noção de como agir para melhorar sua vida na direção certa. Talvez agora lhe interesse pegar uma cópia do livro do Robert e analisá-lo com calma?

Talvez também lhe interesse como transformar esse conhecimento em prática. Tal qual tudo que lemos, é preciso criatividade para transformar em ação em nosso dia a dia. Algumas ideias ao longo da leitura foram fornecidas prontas.

Você pode criar jogos e desafios para se testar (como falar menos por dia durante uma semana por exemplo), criar uma lista de princípios para observar quando toma decisões (como fiz com meu documento-não-tão-secreto-mais)… as possibilidades são grandes.

Coloque em perspectiva: a parte mais difícil, coletar a experiência do aprendizado alheio, que custou a quem cometeu os erros tempo, dinheiro e sofrimento, ao longo de milênios, já foi feita.

Agora seu dever é apenas usá-la para conseguir mais poder em sua vida. A parte fácil do trabalho, uh?

Seguem os pontos abaixo para deixar em mente. Compartilhe o artigo e ajude a criar um mundo com pessoas com mais poder de mudança!

  1. Não confie demais nos amigos. Aprenda a usar os inimigos.
  2. Diga sempre menos que o necessário.
  3. Vença por suas atitudes, não discuta.
  4. Ao pedir ajuda, apele para o egoísmo, não para a gratidão das pessoas.
  5. Não se comprometa com ninguém.
  6. Concentre suas forças.
  7. Seja ousado.
  8. Planeje até o fim.
  9. Evite ter uma forma definida.

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Até a próxima!

 

Paulo Ribeiro

Autor, empreendedor, amante do aprendizado e um estrategista moderno. Escreve sobre estratégias para viver uma vida melhor e mais significativa.

 
  • Muito bem adaptado Paulo. Esse livro é bem complicado de entender. A maioria das pessoas acabam interpretando os seus ensinamentos literalmente.

    Parabéns por mais um ótimo artigo. :D

    • Obrigado, Kellvyn!

      • Xi, acho que eu trouxe uma grande galera lá de um grupo do facebook que eu participo sobre “As 48 leis do poder”. Hehe, não sei se foi isso mesmo, confere no analytics hehe

        :D

        • Ah, que bacana. Aproveite e me adiciona lá, por favor, quero acompanhar essas discussões.

  • William da Costa Braz

    O livro é fantástico bem como a Arte da Sedução e a 50ª Lei, ambos do mesmo autor. Grato pelo artigo Paulo.

    • Isso! O 50 lei é bem bacana, não lembro do Arte da Sedução (tá na lista) e os 33 estratégias está ali na estante me esperando!

      Abraço

      • Charles Júnio

        Não se esqueça do Maestria também, do mesmo autor.

  • Hélio Morello

    O livro “As 48 Leis do Poder” foi o primeiro livro de estratégia de vida que li. Você adaptou muito bem mesmo e mostra que não é qualquer um que esse livro pode ser lido. Muitas pessoas leem o livro mas não assimilam de forma satisfatória, até porque depende muito da ética que cada um tem. Um usando para o bem e outros para o mal.

    Recomendo também a explanação do livro “33 estratégias de guerra”, é muitíssimo interessante. Parabéns pelo artigo, este site é ótimo!

    • Exatamente, Hélio, você chegou na alma do problema. A maioria lê e “passa batido” por ele. O outro livro, 33 estratégias, está comprado e esperando ser lido!

      Abração

  • William Herbert

    Não li ainda, mas quando a imagem do Sr. cacique da Roma atual apareceu, pensei com minha mente (na hora meio lerda): “Hmn… O Paulo atualizou a foto dele, caramba envelheceu bastante… e envelheceu bem, tá com a maior pinta de líder mundial, terno arrumado e linguagem corporal segura, deve ter ido palestrar num grande evento”, no segundo seguinte (em tempo cerebral algo em torno de uns mil anos) quando saquei a confusão “Putz, é o Obama, viajei!”. Caí na gargalhada sozinho aqui, fica o comentário despretensioso de algo que achei engraçado.

    Retorno para um comentário maduro assim que ler, mastigar e começar a digerir o texto. Até.

    • Hahaha eu não consigo ver, mas meus amigos americanos já me disseram como eu sou parecido com ele. Não reclamo, né? Vai confudem a gente no meio da rua :)

  • William Herbert

    E pensar que essas são as leis não polêmicas… o livro deve ser uma bomba esparramando massa cinzenta e convenções não questionadas pra todo lado.

    Sobre o ponto 1 (vou demorar um tempão se quiser tratar todos de uma vez, melhor ir devagar e pensar em cada um com algum intervalo)

    1- Acho este ponto válido, tocou na ferida, mas senti falta de uma visão mais ampla, como o Gustavo Gitti costuma falar.

    Quanto mais você é seu próprio amigo e desenvolve uma autossuficiência verdadeira, observando seus limites, deficiências, limitações, mas também reconhecendo com igual prontidão e tendo a mesma franqueza com seus talentos, esforços, facilidades, virtudes e habilidades úteis você simplesmente cria uma base, uma estrutura interna que te permite ser mais inteiro como indivíduo.

    Um indivíduo inteiro olha diferente as relações, e a amizade não é exceção. A amizade é comumente encarada como um colo incondicional, os amigos não são encarados de igual para igual, mas como capachos, groupies, ou terapeutas para despejarmos problemas e sermos mimados à vontade. Essa visão equipara um amigo a uma muleta, só que, como mencionado, amigos são pessoas, e portanto dão péssimas muletas num mal dia, de mau humor etc.

    Encaro a dica como: “Dependa menos de muletas, use os obstáculos do caminho (os inimigos) como ferramenta de treino de atenção constante.”

    Quando estudamos as relações harmônicas e desarmônicas vemos lá o parasitismo, comensalismo, predatismo, inquilinismo, mutualismo e protocooperação.

    A amizade (toda relação humana na minha atrevida opinião) deveria ser encarada como uma relação de protocooperação: “Minha vida segue um rumo saudável e equilibrado sem a sua existência, não preciso de você. Sua presença, contudo, dá um brilho a mais, uma força, uma luz que só a sua existência única torna possível existir”. Isto, na minha opinião, é amizade, não tratar nossos “amigos” como sofazões emocionais nos quais podermos saltar com tudo, ligar a tv e dormindo babando quanto a coisa tá feia.

    Seguindo este tipo de conduta, não só não tenho tido sequer a possibilidade de decepção com as pessoas, devido a uma não expectativa, como tenho me surpreendido positivamente com as qualidades humanas que as pessoas vem demonstrando para mim. Tenho poucos, bons amigos e agradeço por essa relação sem falsos unicórnios e arco-íris.

    Devolvendo a bola para os estrategistas: o que vocês acham sobre essa romantização da amizade? Que experiências enriquecedoras vocês tem dentro das amizades?

    PS: Paulo, sua comparação com o Obama não foi tão viagem minha não, abre o site e compara sua foto logo à esquerda da dele. Similares não? Será que já tá valendo um apelido de obaminha ou uma semaninha de zuação do Dudu? (Olha eu botando pilha errada). Abraço.

  • William Herbert

    Voltando para fechar o assunto.

    2 e 3 – Não tenho nem o que discutir, me parece o bom (e raro!) senso comum.

    4. Também me parece bom senso, especialmente se você quer focar nos resultados, há um certo risco (para mim) de aumentar a tendência manipuladora e uma certa frieza que impede abertura e interações mais espontâneas e profundas. Não sei se o conceito de um estrategista espontâneo é contraditório ou não.
    5. Grande dificuldade minha, tenho tentado me afastar do hábito entranhado até os ossos de repetir o mote:”Vamos sim, vamos marcar um dia desses, tá marcado então qualquer dia!”. E discordar dizendo que “sim, tudo bem”. Não tenho habilidade para dizer nãos educados e firmes ainda, e é duro fazer isso.
    6. Mais uma grande dificuldade, economia de energia, quando tenho disposição a tendência é gastar toda ela, indo dormir de madrugada, lendo mais de 10 horas seguidas sem comer, saindo e acumulando noites sem dormir, enfim, o exagero.

    Não sei alguém aqui só vai dormir quando não dá mais pra aguentar, eu faço isso ainda, infantil mas verdade, o mundo tem muitos brinquedos e distrações interessantes, e ser seu próprio pai e mãe e se cuidar com equilíbrio, mesmo sem perrengue é um desafio. Fácil de entender, difícil de pagar o preço de ter menos mimos e mais energia usada para trabalhar.

    7. Também fazer de entender, mas difícil de levar a cabo com constância.

    8. Senti um forte puxão de orelha neste aí.

    9. Acho que essa habilidade merce um artigo, e não um com as excelentes metáforas sobre o bambu e a água, mas com exemplos mais concretos de situações reais em que se demonstrou existir essa flexibilidade.

    Acho que é isso, excelente artigo Paulo, trouxe alguma luz aqui, agradeço.

  • Pingback: Sílvio Santos Sobre Ter os Pés no Chão | Estrategistas()

  • Danilo

    Artigo fantástico Paulo, pena que só agora o li. Já tenho o livro do Robert na minha pilha de livros a ler, mas após ler seu artigo acho que ele subiu muitas posições na lista de prioridades. Enfim, ótimo artigo, valeu muito à pena ter lido. Abraço.

  • Felipe Medeiros

    Li esse post 2 vezes. Uma quando saiu e outra hoje procurando ajuda. Estou tentando seguir as indicações de leitura do post dos 23 anos e da série “Como mudar de vida” e aí, quando cheguei neste livro, confesso, fiquei em choque. Talvez eu seja uma das pessoas criadas em uma bolha, pois apesar de ouvir histórias, nunca percebi esses jogos de poder. Apesar de reconhecer várias das leis, para o bem ou para o mal.

    A real Paulo é que o artigo é incrível, como disse estava perdido ao ler o livro, pensando “Que tipo de pessoa serei agindo dessa forma?”. Então resolvi vir aqui no estrategistas para saber se tinha algum post sobre o livro. E boom! Não digo só pelas leis destacadas e exemplos, mas sim pela ideia de como interpretar o livro e o conceito de poder. Vou seguir com a leitura.

    Muito obrigado pelo conteúdo.

    • O livro é completamente Amoral – não existe discussão de certo e errado (isso fica a cargo do código ético de quem lê), apenas o que funciona e como as coisas acontecem.

      Disponha, Felipe!
      Abraço

      • Felipe Medeiros

        Exatamente, essa visão é que não tive. Acredito que ao ler automaticamente fazia julgamentos sobre as atitudes sugeridas. Talvez, tenha sido só esse o pensamento sobre alguns aspectos, o de julgar. Tentarei interpretar todos a partir de agora.

        Valeu =)