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“Você não pode pensar que apenas seguir as regras significa que você cumpriu seu dever”.

Ouça, Hermione, o que você iria sugerir que fizéssemos se eu te avisasse sobre uma emboscada por 44 valentões?

“Eu teria feito a coisa responsável e teria dito a Professora McGonagall e deixado ela tomar conta disso,” Hermione disse na lata. “E então não teria sido escuro e pessoas não teriam gritado e uma horrível luz azul – [harry pregou uma pegadinha nos valentões e terminou assustando todo mundo]

Mas Harry apenas balançou a cabeça. “Isso não seria a coisa responsável a se fazer, Hermione. Seria o que uma pessoa agindo no papel de uma garota responsável faria. Sim, eu pensei em ir à professora McGonagall. Mas ela teria apenas parado o desastre uma vez. Provavelmente antes que qualquer distúrbio tivesse ocorrido em primeiro lugar, dizendo aos valentões que ela sabia.

Se os valentões fossem punidos por apenas esquematizar, seria por perder pontos ou no pior dos casos com detenção por um dia, nada que fosse realmente assustar eles. E então eles teriam tentado de novo. Menos deles, com melhor segurança operacional para que eu não ouvisse a respeito. Eles provavelmente emboscariam uma de vocês, sozinha.

Professora McGonagall não tem a autoridade para fazer algo assustador o suficiente para proteger vocês – e ela não teria ultrapassado a própria autoridade, porque ela não é realmente responsável.”

“Professora McGonagall não é responsável?” Hermione disse incrédula. Ela apertou as mãos na cintura, agora abertamente fulminando ele. “Você está louco?”

O garoto nem piscou. “Você poderia chamar de responsabilidade heroica, talvez.” Harry Potter disse. “Não a do tipo comum. Significa que o que quer que aconteça, não importa o que, é sempre sua culpa. Mesmo se você disser a professora McGonagall, ela não é responsável pelo que acontece, você é. Seguir as regras da escola não é uma desculpa, outra pessoa estar no comando não é uma desculpa, mesmo tentar seu melhor não é uma desculpa. Simplesmente não há desculpas, você tem que concluir o que se propôs não importa o que aconteça.”

O rosto de Harry enrigeceu.”É por isso que digo que você não está pensando responsavelmente, Hermione. Pensar que seu trabalho está concluído quando você diz a professora McGonagall – isto não é pensamento heróico. Como se Hannah apanhar dos valentões fosse ok, porque não é sua culpa mais.

Ser uma heroína significa que seu trabalho não está acabado até que você tenha feito o que for necessário para proteger as outras garotas, permanentemente.” Na voz de Harry havia um toque de aço que ele adquiriu desde o dia que Fawkes esteve em seu ombro. “Você não pode pensar que apenas seguir as regras significa que você cumpriu seu dever“.

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“Eu não quero repetir aquele erro, então vou passar até a hora do jantar pensando se há algo que eu deveria estar fazendo. Se eu não tiver pensado em nada até lá eu irei ao jantar e comerei. Agora por favor vá embora”

Ela estava ciente agora das lágrimas rolando por suas bochechas, de novo. “Harry – Harry, você tem que acreditar que isso não é sua culpa!”.

“Claro que é minha culpa. Não há ninguém aqui que poderia ser responsável por qualquer coisa”.

“Não! Você sabe quem matou Hermione!” Ela estava vagamente consciente do que estava dizendo, tanto que ela não olhou pela sala para checar se alguém poderia estar ouvindo. “Não foi você! Não importa o que você poderia ter feito, não foi você que matou ela, foi Voldemort! Se você não pode acreditar nisso, você vai ficar maluco, Harry!”

“Não é assim que responsabilidade funciona, professora”. A voz de Harry estava paciente, como se ele estivesse explicando coisas a uma criança que ele estava certo que não entenderia. Ele não estava olhando mais para ela, apenas encarando a janela ao lado dela. “Quando você faz análise de culpa, não faz sentido algum atribuir culpa a uma parte do sistema que você não pode mudar depois, é como pisar fora de um penhasco e culpar a gravidade. A gravidade não vai mudar da próxima vez. Não faz sentido tentar alocar responsabilidade em pessoas que não vão alterar suas ações. Uma vez que você olha as coisas por essa perspectiva, você percebe que alocar a culpa nunca ajuda a menos que você culpe a si mesmo, porque você é o único cujas ações você pode mudar por colocar a culpa ali.” […]

“Você não é responsável,” ela disse, embora a voz tenha tremido. “Somos nós, Professores – nós que somos responsáveis pela segurança dos estudantes, não você”.

Os olhos de Harry se voltaram para ela. “Você é responsável?” Havia dureza na voz dele.” Você quer que eu chame a responsabilidade para você, professora McGonagall?”

O garoto se levantou de onde estava sentado no chão e tomar alguns passos adiante. “Tudo bem, então”, Harry disse monótono. “Eu tentei fazer a coisa razoável quando eu vi que Hermione estava desaparecida e que nenhum dos professores sabia. Eu pedi para um estudante do sétimo ano ir comigo numa vassoura e me proteger enquanto eu procurava por Hermione. Eu pedi por ajuda. Eu implorei por ajuda. E ninguém me ajudou. Porque você deu a todo mundo uma ordem absoluta para ficar em um lugar ou eles seriam expulsos, sem desculpas. Não importa o que mais Dumbledore não entende, pelo menos ele pensa nos estudantes como pessoas, não animais que precisam ser ordenhados e impedidos de perambular por aí.

Você sabia que não era boa em pensamento militar, sua primeira ideia foi que caminhássemos pelos corredores, você sabia que alguns estudantes ali eram melhor que você em estratégia e táticas e você ainda nos trancou em uma sala sem nenhum julgamento discricionário. Então, quando algo que você não previu aconteceu e teria feito perfeito sentido mandar um estudante do sétimo ano numa vassoura rápida para procurar por Hermione Granger, os estudantes sabiam que você não perdoaria ou entenderia.

Eles não estavam com medo do Troll, eles estavam com medo de você. A disciplina, a conformidade, a covardia que você instilou neles me atrasou tempo suficiente para Hermione morrer. Não que eu devesse ter pedido ajuda de pessoas normais, claro, eu mudarei e serei menos estúpido da próxima vez. Mas se eu fosse burro o suficiente para alocar responsabilidade a alguém que não é eu, era isso que eu diria.”

Lágrimas corriam pelo rosto dela.

“Isso é o que eu diria a você se achasse que você pudesse ser responsável por alguma coisa, Mas pessoas normais não escolhem com base nas consequências, elas apenas cumprem papeis. Há uma imagem na sua cabeça de uma mulher disciplinar mão-de-ferro e você faz qualquer coisa que essa imagem faria, caso faça sentido ou não.

Uma mão-de-ferro iria ordenar que os estudantes voltassem para os dormitórios, mesmo havendo um Troll a solta nos corredores. Ela iria ordenar que os estudantes não saísse do hall sob pena de expulsão. E a pequena imagem da professora McGonagall que você tem na cabeça não pode aprender com experiência ou mudar a si mesma, então não faz sentido ter essa conversa. Pessoas como você não são responsáveis por nada, pessoas como eu são, e quando nós falhamos não há ninguém mais para culpar.”

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Origem: Harry Potter e os Métodos da Racionalidade

Eu tenho nada a adicionar depois disso aí. É um dos pedaços de escrita mais poderosos com o qual me deparei e tem tido um impacto tremendo na minha vida.

Assumir a responsabilidade por tudo não se trata de ficar paranoico e se lamentar por tudo o que acontece de errado, mas simplesmente parar de jogar a culpa no destino ou acaso. Chegou atrasado? Culpa do trânsito. Não, a culpa foi sua que não se planejou bem o suficiente para levar em consideração o fator trânsito.

Não conseguiu atender àquela ligação de negócios importate no skype porque a internet caiu na hora? Culpa sua por possuir apenas uma linha de internet em casa. O que você pode fazer é ter dois provedores ao mesmo tempo para garantir sinal initerrupto se isso é tão importante para seus negócios.

Bata no peito, assuma responsabilidade mesmo pelo acaso e você estará sempre melhor preparado da próxima vez.

  • rosanarogeri
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    rosanarogeri

    Tapa na minha face…

    • Paulo Ribeiro
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      Paulo Ribeiro

      o importante é usar a dor para agir de modo diferente ;)

      • Thiago Jacinto
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        Author
        Thiago Jacinto

        Isso deveria ser alardeado, usar a dor como combustível de mudança!

  • Luiz Felipe Mello
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    Author
    Luiz Felipe Mello

    Texto muito importante! Tudo é de fato nossa responsabilidade. Criamos tudo ao nosso redor, somos de fato responsáveis por tudo. Falando de dor, minha mãe sempre me dizia que tudo na vida se aprende pela dor ou pelo amor.

    • Paulo Ribeiro
      Responder
      Author
      Paulo Ribeiro

      como “a vida” raramente é amorosa…

      • Luiz Felipe Mello
        Responder
        Author
        Luiz Felipe Mello

        Aí é que está … nos colocamos em certas ciladas, e sofremos … Porém ter a consciência e responsabilidade de que nós é que de alguma forma buscamos aquilo é o primeiro passo para sair. Para não entrarmos mais não podemos desperdiçar a aprendizagem da derrota …

  • Bruno Wolfgang Rocha
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    Bruno Wolfgang Rocha

    Na boa, estava preocupado agora pouco porque está sendo difícil bater a meta que me propus na faculdade, ou seja, média 8(sendo que na minha faculdade a média é 6), e vejo o quanto tenho a me culpar por ser dificultoso, Paulo, obrigadão por me alertar, ainda que havia subestimado um pouco HP rs
    Enfim, Paulo, abração!

  • Fabio Silva
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    Fabio Silva

    Eu costumo dizer que sou um irresponsável em recuperação a 6 meses, tenho levado um estilo de vida em assumir responsabilidades em vez de ficar se lamentando toda hora. E foi simplesmente foda… Conseguir realizar muita coisa e sofrer muito menos. Se as responsabilidades é se somente minha, então tenho que lidar com as consequências independente de quais forem.

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  • Leonardo Jahn
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    Leonardo Jahn

    Como disse ali: “Como “a vida” raramente é amorosa…” Não seria também nossa culpa a “vida” não ser amorosa? Afinal, se a culpa é NOSSA, a vida é NOSSA, por que a culpa seria da VIDA, e não NOSSA?